Tóquio, Japão – A partir de abril, o governo japonês apoiará a introdução de empilhadeiras robotizadas para fazer frente à escassez de trabalhadores em muitas indústrias, publicou o jornal Yomiuri.
Os principais fabricantes de empilhadeiras comuns, além de novas empresas do setor, estão se antecipando a uma maior demanda por este equipamento automatizado, para transportar cargas pesadas sem a necessidade de um condutor.
A esperança do governo é que a partir de abril esta medida ajude a aliviar o chamado “problema de 2024” no setor de logística, quando uma reforma trabalhista começará a vigorar, limitando o número de horas extras para motoristas de caminhão.
Uma das empresas que produz empilhadeiras robotizadas é a Mitsubishi Logisnext Co., do Grupo Mitsubishi Heavy Industries, que revelou à mídia o seu equipamento autônomo em 4 de março.
A empilhadeira é equipada com laser fixado na parte superior, com sensores para identificar a posição do veículo, o que permite transportar sua carga para locais pré-programados.
Já existem empilhadeiras automáticas, mas elas só se movem por um longo trilho magnético embutido no chão. As equipadas com laser apresentam duas vantagens: necessitar apenas dos refletores instalados nas paredes para operar e ultrapassar obstáculos que bloqueiem seu caminho.
A empilhadeira automática lançada no ano passado pela Rapyuta Robotics Co., de Tóquio, usa sensores e dados de mapas para circular pela fábrica. Este modelo não precisa de refletores nem de ímãs, enquanto a implementação de inteligência artificial otimiza os movimentos de múltiplas empilhadoras, aumentando assim a eficiência operacional.
A Toyota Industries Corp., a maior empresa de empilhadeiras do mundo, também está desenvolvendo esse equipamento usando inteligência artificial.
Uma pesquisa da Teikoku Databank mostrou em janeiro que 65,3% das empresas dos setores de transporte e armazenamento sentiram uma escassez de funcionários regulares em tempo integral – pelo menos 10 pontos percentuais acima do valor médio relatado para todos os setores.
Os motoristas de caminhão, em geral, também operam empilhadeiras para carregar e descarregar itens. Com a entrada em vigor da reforma nas horas extras, espera-se que haja menos profissionais do volante à disposição das empresas.
O Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar informou que em 2021 cerca de 210.000 pessoas concluíram o curso de formação de competências necessário para operar uma empilhadora com carga de uma tonelada ou mais. O número mostra um declínio de cerca de 20% em relação ao pico de cerca de 270.000 pessoas que obtiveram a mesma qualificação no ano fiscal de 2007.
O fato é que as empilhadeiras automatizadas podem ser utilizadas 24 horas por dia. “Uma dessas pode lidar com a carga de trabalho diária de 3,5 pessoas”, disse um funcionário da Nagatanien Foods Co., que usa uma empilhadeira automatizada da Mitsubishi Logisnext.
Mas há o alto custo do equipamento, que pode ser um obstáculo para muitos clientes.
As mais recentes empilhadeiras a laser da Mitsubishi Logisnext custam cerca de ¥ 20 milhões cada – cerca de cinco vezes o custo de uma comum.
O Ministério das Terras, Infraestruturas, Transportes e Turismo deverá aceitar inscrições para um projeto de demonstração envolvendo os veículos e subsidiar metade das despesas necessárias a partir de abril.
Outro ponto é que as empilhadeiras automáticas operam lentamente, se for comparar com aquelas conduzidas por trabalhadores. Além disso, às vezes não conseguem levantar materiais que estão ligeiramente fora de posição.
De acordo com a Associação Japonesa de Veículos Industriais, cerca de 80.000 empilhadeiras manuais são vendidas anualmente no Japão, em comparação com apenas cerca de 200 empilhadeiras automáticas.
Um funcionário da associação comentou: “Será essencial garantir que os armazéns sejam fáceis de navegar pelas empilhadeiras e melhorar a precisão dessas máquinas, para facilitar o amplo uso das autônomas.”
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