Ichinomiya, Japão – Um hospital público da província de Aichi operou a perna errada de uma paciente e agora deverá pagar ¥5,5 milhões em indenização. A mulher havia fraturado o lado esquerdo, mas recebeu uma prótese no fêmur direito, que não estava quebrado.
O erro médico ocorreu em dezembro de 2024 no Hospital Municipal de Ichinomiya (一宮市立市民病院). Na época, a paciente, com mais de 80 anos, deu entrada na unidade depois de sofrer uma queda.
Um exame de raio X mostrou uma fratura no colo do fêmur esquerdo, região localizada perto da articulação do quadril. Por isso, a paciente foi internada para passar por uma cirurgia de colocação de uma cabeça femoral artificial.
De acordo com um comunicado oficial da Prefeitura de Ichinomiya, o médico responsável pela internação registrou por engano “fratura do colo do fêmur direito” tanto no termo de consentimento quanto na solicitação da cirurgia.
O procedimento também aparece nos documentos como uma operação no lado direito, quando deveria ocorrer no esquerdo.
Perna errada também marcada antes da cirurgia
A prefeitura informou que o erro não ficou restrito aos formulários. Antes do procedimento, a marcação destinada a identificar o local da cirurgia também foi feita na perna direita.
Sem consultar as imagens armazenadas no prontuário eletrônico para confirmar o lado fraturado, a equipe realizou a operação e colocou uma prótese no fêmur direito da paciente.
Os médicos só descobriram a falha após um novo exame de raio X feito depois da cirurgia. O hospital explicou o ocorrido à paciente e aos familiares e pediu desculpas ainda naquele dia, de acordo com a CBC TV.
Posteriormente, a mulher precisou passar por outra cirurgia, desta vez para tratar o fêmur esquerdo fraturado na queda.
Indenização de ¥5,5 milhões
O hospital reconheceu que o procedimento desnecessário representou uma violação das obrigações previstas no contrato de atendimento médico. Após negociações e a avaliação das sequelas deixadas pelo caso, a prefeitura e a paciente chegaram a um acordo no valor de ¥5,5 milhões.
A proposta será submetida à Câmara Municipal de Ichinomiya durante a sessão de setembro. Conforme o projeto oficial encaminhado ao Legislativo, o dinheiro deve entrar na conta indicada pela paciente em até 30 dias após a formalização do acordo.
O diretor do hospital, Kiyokazu Shimizu, pediu desculpas à paciente e à família.
“Realizamos uma cirurgia de que a paciente não precisava, causando um enorme sofrimento físico e emocional. Lamentamos profundamente o ocorrido”, declarou.
Hospital muda procedimentos de conferência
Como medida de prevenção, o hospital passou a exigir que mais de um profissional confirme o local da lesão e o lado correto.
A verificação inclui consulta às imagens do prontuário eletrônico tanto no momento da marcação pré-operatória quanto antes da aplicação da anestesia, já dentro da sala de cirurgia.
“Estamos refletindo profundamente sobre este acidente e trabalharemos para impedir que algo semelhante volte a ocorrer, além de garantir um atendimento médico seguro e confiável”, afirmou Shimizu.





Absurdo esse caso…e a mulher aceitou uma indenização bem baixa.
Gostaria encarecidamente de saber como cobrar responsabilidades nestes casos médicos no Japão. Alguns sentem-se os deuses perfeitos na terra de pagãos.