Moscou, Rússia – O presidente Vladimir Putin classificou a invasão da Ucrânia e o atual confronto com o Ocidente como uma batalha existencial pela sobrevivência da Rússia e do povo russo – e disse que foi forçado a levar em conta as capacidades nucleares da Otan.
Um ano depois de ordenar a invasão da Ucrânia, Putin está a cada dia mais apresentando a guerra como um momento decisivo na história russa – e dizendo que acredita que o próprio futuro da Rússia e de seu povo está em perigo.
“Eles têm um objetivo: destruir a antiga União Soviética e sua parte fundamental, a Federação Russa”, disse Putin à televisão estatal Rossiya 1 em entrevista gravada na quarta-feira, mas divulgada no domingo (26).
A Otan e o Ocidente descartam essa narrativa, dizendo que o objetivo é ajudar a Ucrânia a se defender contra um ataque não provocado.
Putin disse que o Ocidente quer dividir a Rússia e então controlar a maior produtora mundial de matérias-primas, um passo, disse ele, que pode levar à destruição de muitos dos povos da Rússia, incluindo a maioria étnica russa.
AJUDA DA CHINA
A China não se moveu para fornecer ajuda letal que ajudaria a Rússia em sua invasão da Ucrânia e os Estados Unidos deixaram claro a portas fechadas que tal medida teria sérias consequências, disse o conselheiro de segurança nacional da Casa Branca Jake Sullivan.
“Pequim terá que tomar suas próprias decisões sobre como proceder, se fornecerá assistência militar – mas se seguir esse caminho, terá custos reais para a China”, disse Sullivan ao programa “Estado da União” da CNN.
A China não avançou no fornecimento dessa ajuda, mas Pequim também não tirou essa opção da mesa, disse Sullivan em entrevista separada no programa “This Week” da ABC.
Autoridades dos EUA alertaram seus colegas chineses em particular sobre quais podem ser esses custos, disse Sullivan, mas ele não quis entrar em detalhes sobre essas discussões.
Nos últimos dias, os Estados Unidos e seus aliados da OTAN têm lutado para dissuadir a China de tal movimento, fazendo comentários públicos sobre sua crença de que a China está considerando fornecer equipamento letal para a Rússia. O secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, disse na sexta-feira que a China tem fornecido assistência não letal à Rússia por meio de suas empresas.
O presidente dos EUA, Joe Biden, visitou Kiev e se reuniu com o presidente Volodymyr Zelenskiy na segunda-feira passada, prometendo nova ajuda militar americana à Ucrânia no valor de US$ 500 milhões.
Sexta-feira marcou o primeiro aniversário da invasão da Rússia. Os Estados Unidos têm sido de longe o maior fornecedor de assistência militar para ajudar a Ucrânia a repelir as forças russas mais bem equipadas. A Ucrânia espera uma grande nova ofensiva russa em breve.
O Ocidente reagiu com ceticismo à proposta da China na sexta-feira de um cessar-fogo na Ucrânia, com o secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg, dizendo que Pequim não tem muita credibilidade como mediadora por não ter condenado a invasão. A Ucrânia rejeitou a proposta, a menos que envolva a Rússia retirar suas tropas.
PROTESTOS NA ALEMANGA
Uma manifestação contra o fornecimento de armas à Ucrânia para a guerra com a Rússia reuniu 10.000 pessoas no sábado (25), atraindo críticas de autoridades seniores da Alemanha e uma grande presença policial para manter a ordem.
Organizado por uma proeminente política de esquerda da Alemanha, o protesto foi realizado um dia depois do aniversário de um ano da invasão da Rússia à Ucrânia, que atraiu promessas de mais armas de aliados ocidentais, novas sanções contra a Rússia e demonstrações de apoio a Kiev no mundo inteiro.
“Pedimos que o chanceler alemão interrompa a escalada de entregas de armas. Agora!… Porque cada dia perdido custa até 1.000 mais vidas – e nos deixa mais próximo da Terceira Guerra Mundial”, disseram os organizadores do protesto, em seu site.
A “Insurreição pela Paz” foi organizada parcialmente por Sahra Wagenknecht, integrante do partido de esquerda da Alemanha, Die Linke.
A Alemanha, ao lado dos Estados Unidos, tem sido uma das maiores fornecedores de armas à Ucrânia.
“Negocie, não piore” era um cartaz exibido por um manifestantes, enquanto outro na multidão dizia “Não é nossa guerra”.
Um porta-voz da polícia disse que 10.000 pessoas se reuniram em torno do simbólico Portão de Brandemburgo, no centro de Berlim.
G20 CONDENA
Líderes financeiros das maiores economias do mundo condenaram Moscou veementemente pela sua guerra na Ucrânia no sábado, com apenas a China e a própria Rússia se recusando a assinar o comunicado conjunto.
A Índia, que como presidente do Grupo dos Vinte (G20), estava sediando uma reunião em Bengaluru, relutou em tocar no assunto da guerra, mas nações ocidentais insistiram que não poderiam apoiar nenhuma resolução que não incluísse uma condenação.
A falta de consenso entre membros do G20 fez com que a Índia recorresse a emitir um “resumo do presidente e documento final” no qual simplesmente resumiu os dois dias de conversas e mencionou desacordos.
“A maioria dos membros condenou veementemente a guerra na Ucrânia e enfatizou que ela está causando um imenso sofrimento humano e exacerbando fragilidades existentes na economia global”, disse, citando interrupções nas cadeias de fornecimento, riscos à estabilidade financeira e uma contínua insegurança de energia e alimentos.
“Houve outras visões e avaliações diferentes da situação e das sanções”, disse, referindo-se às medidas aplicadas por Estados Unidos, países europeus e outros para punir a Rússia pela invasão e privá-la de receitas.
A resolução foi parecida com a da cúpula do G20 em Bali em novembro quando a anfitriã Indonésia também emitiu uma declaração final reconhecendo diferenças. O G20, formado há duas décadas para lidar com crises econômicas, tem sofrido cada vez mais para chegar a um consenso para emitir um comunicado oficial de fim de reunião.
A secretária do Tesouro dos EUA, Janet Yellen, disse anteriormente à Reuters que era “absolutamente necessário” qualquer declaração para condenar a Rússia. Dois delegados disseram à Reuters que a Rússia e a China não querem que a plataforma do G20 seja usada para discutir assuntos políticos.
A Rússia, membro do G20, mas não do G7, refere-se às suas ações na Ucrânia como uma “operação militar especial” e evita chamá-la de invasão ou guerra.
A Índia manteve uma postura amplamente neutra, recusando-se a culpar a Rússia pela invasão, buscando uma solução diplomática e aumentando drasticamente suas compras de petróleo russo.
China e Índia estavam entre as nações que se abstiveram na quinta-feira, quando a ONU votou de forma esmagadora para exigir que Moscou retire suas tropas da Ucrânia e pare de lutar.
Além das nações do G7, o bloco G20 também inclui países como Austrália, Brasil e Arábia Saudita.
Foto: Reuters


















