Tóquio, 24/nov – O Fórum de Relações Internacionais do Japão (JFIR), uma fundação privada que reúne intelectuais e pessoas influentes no país, divulgou na quarta-feira 24, em Tóquio, a conclusão de um relatório chamado “Perspectivas e desafios para a aceitação de migrantes estrangeiros no Japão”.
Trata-se de um minucioso documento sobre a questão da entrada de trabalhadores, qualificados ou não, no arquipélago -assunto que o governo japonês já discute há muito tempo sem chegar a um acordo. O JFIR entregou o relatório ao primeiro-ministro Naoto Kan, além de publicar em três jornais de grande circulação (Sankei, Nikkei e Asahi) um informe publicitário de meia página sobre os principais itens abordados no documento (veja o texto integral em japonês ou inglês clicando aqui).
Em termos gerais, o Fórum concluiu em nove recomendações políticas que o governo precisa rever a lei de imigração porque existe a necessidade do arquipélago aceitar a entrada de estrangeiros, caso queira sobreviver em uma economia globalizada.
“Se o Japão quiser avançar em sua integração com os países emergentes da Ásia, não tem outra escolha senão a de aceitar imigrantes porque já faz pleno de recursos humanos nacionais. A questão-chave não é se devemos aceitar os imigrantes estrangeiros ou não, mas como devemos aceitá-los”, diz o documento.
Enquanto a população japonesa envelhece, o país mantém uma das mais rigorosas políticas migratórias do mundo. Segundo a versão nipônica do The Wall Street Journal, o Japão está perdendo em competitividade e crescimento econômico para a China, o que leva a opinião pública a acreditar que medidas devem ser tomadas. Os estrangeiros representam apenas 1,7% da população no arquipélago, enquanto que esse índice é de 6,8% na Inglaterra e chega a 21,4% na Suíça.
O jornal Sankei, por sua vez, cita que a abertura do país para os trabalhadores estrangeiros requer muita cautela, principalmente no caso da mão-de-obra não especializada. Na década de 80, os países europeus permitiram a entrada de estrangeiros para trabalhar e até estavam otimistas, mas como resultado aumentaram os casos de violência, atritos sociais e de ilegais.


















