Fukui, Japão — O recém-eleito governador da província de Fukui, Takato Ishida, de 35 anos, iniciou seu mandato sob intensas críticas após a circulação de um vídeo de sua campanha onde afirmava que o Japão é uma “nação de etnia única”. Um dia após vencer o pleito realizado no último domingo (25), Ishida convocou uma coletiva de imprensa para se retratar, afirmando que deseja “corrigir essa declaração”, informou o jornal Asahi.
Durante o período eleitoral, Ishida postou um vídeo nas redes sociais justificando sua postura política: “Sou contra políticas de imigração. O motivo é que, primeiramente, o Japão é uma nação de etnia única”.
A fala gerou repercussão negativa imediata, sendo classificada por especialistas e grupos de direitos humanos como discriminatória. Historicamente, esse tipo de retórica é criticado por negar a existência do povo indígena Ainu — reconhecido oficialmente como nativo por lei em 2019 — e de residentes com raízes na Península Coreana, Taiwan e outros países.
Na segunda-feira (26), Ishida tentou contextualizar sua fala, alegando que o termo foi usado em um cenário de preocupação com a aceitação “desordenada” de trabalhadores estrangeiros. “Como não somos uma etnia completamente única, gostaria de corrigir firmemente esse ponto”, afirmou.
A professora Eriko Suzuki, da Universidade Kokushikan, rebateu a justificativa: “Negar a existência de pessoas com origens diversas que já estão no Japão é um problema distinto da política de aceitação de novos estrangeiros”.
Suzuki também destacou que Ishida recebeu apoio do partido Sanseito, conhecido pela plataforma “japoneses em primeiro lugar”, e teme que o discurso rigoroso contra imigrantes se torne uma estratégia eleitoral crescente em pleitos regionais.
A postura de Ishida, que é o mais jovem governador eleito no Japão, cria um paradoxo em Fukui. A província possui uma das maiores taxas de oferta de emprego do Japão e depende fortemente da mão de obra estrangeira para sustentar sua economia local.
Para atrair trabalhadores que geralmente preferem metrópoles como Tóquio, a província vinha investindo em programas inovadores, como o “Fukui Class”, que ensina o dialeto local e costumes da região a cuidadores de idosos estrangeiros antes mesmo de chegarem ao Japão.
“Existe o receio de que, sob um governador com visão negativa à aceitação de estrangeiros, esses orçamentos sejam cortados. Se isso ocorrer, os maiores prejudicados serão os próprios cidadãos da província, que perderão serviços essenciais”, alerta Suzuki.




