Tóquio, Japão – A tentativa de destacar o preço da gasolina no Japão como “metade” do praticado na Europa acabou gerando o efeito contrário para a primeira-ministra Sanae Takaichi. A publicação, feita nas redes sociais, provocou uma onda de críticas. Além disso, levantou questionamentos sobre o uso de dinheiro público para sustentar os valores atuais, informou o site J-Cast News.
A premiê fez o comentário em meio à instabilidade no Oriente Médio, desencadeada após ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã em 28 de fevereiro. O cenário que vem pressionando os preços do combustível em todo o mundo.
Diante disso, Takaichi afirmou que o preço da gasolina no Japão se mantém em torno de 170 ienes por litro graças a subsídios do governo.
Na postagem, a premiê comparou o valor japonês com países europeus — citando cerca de 396,7 ienes na Alemanha, 373 ienes na França e 338,8 ienes no Reino Unido — além dos Estados Unidos, com 173,9 ienes. A partir desses números, concluiu que o Japão estaria com preços “aproximadamente pela metade” em relação à Europa e em nível semelhante ao dos EUA.
“Não é mérito do governo”
Embora alguns usuários tenham apoiado a medida, a reação negativa predominou. De acordo com o site, críticas apontaram que o argumento ignora o fato de que os preços mais baixos são resultado direto de subsídios financiados por impostos. Comentários como “é o nosso próprio dinheiro cobrindo isso” e “não é mérito do governo” se multiplicaram.
Segundo o Ministério da Economia, o subsídio ao combustível aumentará para 39,7 ienes por litro até meados de maio. Sem essa intervenção, o preço da gasolina poderia chegar a cerca de 209,7 ienes por litro, indicando que recursos públicos influenciam fortemente o valor atual.
Comparações e críticas sobre renda
Outro ponto que gerou reação foi a comparação direta com países ocidentais sem considerar a diferença de renda. Usuários destacaram que salários e renda disponível no Japão são inferiores aos de muitos países citados, o que tornaria a comparação incompleta.
Também cresceram críticas sobre a continuidade dos subsídios em meio a um cenário internacional incerto. Há receio de que a política não tenha uma estratégia clara de saída e acabe pressionando ainda mais as finanças públicas.
O ex-parlamentar Ryuichi Yoneyama alertou que a manutenção desse tipo de medida pode levar à emissão de títulos públicos, com impacto futuro na inflação e na desvalorização do iene. “Pode dar uma sensação de alívio no curto prazo, mas depois acaba pesando contra a população”, afirmou.
Sinal de “populismo”
Já o professor Harukata Takenaka, da Escola Nacional de Pós-Graduação em Políticas Públicas, questionou a coerência da política. Ele destacou que, enquanto o governo incentiva economia de recursos energéticos, também estimula o consumo ao subsidiar preços, classificando a postura como um sinal de “populismo” dentro da administração.
A declaração reacende críticas antigas à condução econômica da premiê. Durante a campanha eleitoral, ela já gerou controvérsia ao comentar sobre a desvalorização do iene em tom considerado insensível diante do aumento do custo de vida.
Com a tendência de manutenção dos preços elevados do petróleo, cresce a dúvida sobre até quando será possível sustentar artificialmente o valor da gasolina. E se a estratégia continuará sendo apresentada como um resultado positivo do governo.





Fico impressionado,como japoneses apoiaram esta ministra,quando ela fez uma nova eleição,somente para ter mais políticos no parlamento,apoiando ela!🤦🏻♂️
Foi por causa deste apoio,que os próprios japoneses,já estão sentindo,os efeitos na economia,assim como nos estrangeiros,que estamos sofrendo deste atual governo..