Tóquio, Japão – A proposta de zerar o imposto sobre consumo de alimentos por dois anos no Japão voltou ao centro de um debate político, mas está longe de ser uma solução simples. Apesar da promessa de campanha, o governo admite que há obstáculos técnicos e prazos que podem impedir a implementação ainda este ano, informou a TV Asahi.
Em declaração na segunda-feira (27), a primeira-ministra Sanae Takaichi afirmou que mantém “forte determinação” para viabilizar a medida. Segundo ela, o governo busca alternativas para acelerar as mudanças necessárias nos sistemas de caixa registradora, apontados como um dos principais entraves.
“Estamos analisando formas de realizar as mudanças de sistema o mais rápido possível, com o objetivo de concretizar a taxa zero”, disse. Atualmente, o imposto sobre consumo é de 10%, com redução para 8% em caso de alimentos.
Sistemas travam plano de imposto zero
Desde a introdução do imposto sobre consumo em 1989, os sistemas de registro no Japão funcionam com base na cobrança obrigatória de tributos. Embora permitam alterações de alíquota, muitos não conseguem operar com taxa zero, o que exigiria a criação de novos sistemas.
Fabricantes consultados pelo governo indicaram que a adaptação poderia levar até um ano — prazo incompatível com a meta de implementação ainda no atual ano fiscal. Diante disso, surgiu uma alternativa: reduzir o imposto para 1%.
Inicialmente, empresas do setor sugeriram que essa mudança poderia ser feita em cerca de três meses. No entanto, levantamentos adicionais do Ministério da Economia apontaram que o processo ainda exigiria entre cinco e seis meses, podendo ser mais demorado em pequenos comércios com sistemas próprios.
Impacto no bolso e divisão política
A diferença entre zerar o imposto ou reduzi-lo para 1% também tem impacto direto no orçamento das famílias. Segundo estimativa da Nomura Research Institute, uma família de quatro pessoas economizaria cerca de 67 mil ienes por ano com imposto zero. Já com a alíquota de 1%, a redução seria de aproximadamente 58 mil ienes — quase 10 mil ienes a menos de economia anual.
Dentro do próprio partido governista, a proposta alternativa gera desconforto. Um ex-ministro das Finanças classificou a redução para 1% como uma “quebra de promessa”.
Por outro lado, há quem defenda uma abordagem mais pragmática, argumentando que uma medida parcial ainda traria alívio mais rápido à população.
Especialistas também demonstram cautela. Há avaliações de que a redução de impostos pode não se refletir integralmente nos preços finais, devido à alta contínua dos custos.
Outros defendem políticas diferentes, como a “dedução fiscal com benefício em dinheiro”, considerado mais eficiente em termos de custo e impacto.
A própria primeira-ministra já sinalizou que o corte no imposto seria uma solução temporária até a implementação desse modelo de apoio direto à população. Ainda assim, o tema segue cercado de incertezas — tanto técnicas quanto políticas — enquanto o custo de vida continua pressionando os consumidores.





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