Tóquio, Japão — Em uma coletiva de imprensa realizada nesta quarta-feira (21), o líder do partido Sanseito, Sohei Kamiya, subiu o tom contra o atual governo ao anunciar uma estratégia agressiva para as próximas eleições parlamentares em 8 de fevereiro. O partido planeja lançar 160 candidatos, estabelecendo uma meta ambiciosa de conquistar entre 30 e 40 cadeiras na Câmara Baixa do Parlamento, de um total de 465 assentos, informou a agência Reuters.
Atualmente detendo apenas três assentos na Câmara Baixa, o Sanseito busca capitalizar o crescimento obtido nas eleições da Câmara Alta no último verão, quando sua retórica de “japoneses em primeiro lugar” e políticas rigorosas contra estrangeiros fizeram o partido saltar para 15 cadeiras no total daquela casa.
Embora o Sanseito e o Partido Liberal Democrata (PLD), da primeira-ministra Sanae Takaichi, compartilhem inclinações conservadoras, Kamiya expressou forte desconfiança sobre as promessas econômicas da premiê.
Ele criticou as mudanças de postura de Takaichi em relação à redução do imposto sobre o consumo, afirmando que suas declarações têm oscilado desde a eleição interna do PLD no ano passado.
“Queremos travar um combate direto contra o PLD nesta eleição”, declarou Kamiya, sugerindo que Takaichi pode revogar suas promessas de corte de impostos logo após o pleito. O Sanseito deve apresentar seu plano de governo oficial na sexta-feira (23), focando em três pilares: redução de impostos, política fiscal ativa e medidas mais rígidas contra estrangeiros.
A estratégia de lançar candidatos do Sanseito será minuciosa. Kamiya afirmou que o partido analisará cada distrito eleitoral para verificar se o candidato do PLD está alinhado com a visão de Takaichi.
Entretanto, o líder partidário mostrou que não haverá trégua total nem mesmo para aliados ideológicos. Ao ser questionado sobre por que lançou um candidato em Saitama contra Yoshitaka Shindo (ex-ministro do PLD que compartilha visões parecidas sobre estrangeiros), Kamiya justificou que “respeitou o desejo local” de seu próprio candidato em concorrer naquela região.
“Se houver parlamentares do PLD defendendo o multiculturalismo e a entrada de mais estrangeiros, o Sanseito lançará opositores contra eles”, reforçou Kamiya em uma transmissão recente no YouTube.
Kamiya também mirou na recém-formada “União de Reforma Centrista”, fusão de membros do Partido Democrático Constitucional (CDP) e do Komeito. Para o líder do Sanseito, essa aliança é um sinal do ressurgimento da “velha política liberal” e uma tentativa do Komeito de buscar uma grande coalizão para retornar ao poder.
Takaichi formalizou na segunda-feira (19) a decisão de dissolver a Câmara Baixa na sexta-feira (23), data de abertura da sessão ordinária do Parlamento, e convocar eleições antecipadas para 8 de fevereiro. “O povo decidirá se devo continuar como premiê”, disse ela em uma coletiva de imprensa.




