Tóquio, Japão – Os líderes do Partido Democrático Constitucional do Japão e do Komeito anunciaram nesta sexta-feira, dia 16, a criação de um novo partido político de centro. A sigla recebeu o nome de Chuudou Kaikaku Rengou (中道改革連合), em inglês Centrist Reform Alliance, informou a emissora NHK.
O anúncio foi feito em entrevista coletiva conjunta pelos presidentes do Partido Democrático Constitucional, Yoshihiko Noda, e do Komeito, Tatsuo Saito. Segundo eles, o objetivo é reunir forças políticas de centro em meio ao cenário de instabilidade política, enquanto a primeira-ministra Sanae Takaichi sinaliza a intenção de dissolver a Câmara Baixa do Paramento nos próximos dias e convocar novas eleições.
Na manhã desta terça-feira, os dois partidos formalizaram o pedido de criação do partido junto ao Ministério de Assuntos Internos e Comunicações, por meio da Comissão Eleitoral Metropolitana de Tóquio. A partir de agora, parlamentares atualmente filiados ao Partido Democrático Constitucional e ao Komeito deverão iniciar, de forma gradual, os procedimentos para ingressar oficialmente na nova legenda.
Recrutamento de candidatos
O Partido Democrático Constitucional anunciou ainda a abertura de uma chamada emergencial de três dias, a partir desta sexta-feira, para a seleção de candidatos que concorrerão às eleições pela nova sigla.
O presidente da Comissão de Estratégia Eleitoral do partido, Seiji Osaka, afirmou a jornalistas que a decisão de disputar o pleito sob uma nova bandeira já foi tomada. Segundo ele, a meta é lançar cerca de 200 candidatos, avançando com os trâmites até o último momento possível.
Discurso de Noda destaca união do centro político
Em discurso realizado pela manhã em Saitama, Noda afirmou que a união entre o Partido Democrático Constitucional e o Komeito se dá em torno de uma agenda de reformas de centro. Ele ressaltou que a essência dessa linha política está em colocar a dignidade individual no foco da ação governamental, e não submeter as pessoas ao Estado ou a ideologias rígidas.
Segundo Noda, a junção de forças de um partido que atuou como centro dentro da base governista, no caso do Komeito, com outro que exerceu esse papel na oposição, permitirá reunir conservadores moderados e liberais, criando um movimento político mais amplo e significativo.
Críticas do Partido Liberal Democrata
A criação da nova legenda foi duramente criticada pelo Partido Liberal Democrata (PLD). Em discurso durante um encontro partidário em Kumamoto, o secretário-geral do PLD, Shunichi Suzuki, afirmou que o novo partido parece ter sido criado apenas para que seus integrantes se ajudem mutuamente em eleições.
Suzuki criticou a falta de clareza sobre políticas fundamentais, como energia, usinas nucleares e segurança nacional, classificando a nova sigla como uma espécie de “associação de ajuda eleitoral”. Ele também questionou a durabilidade do partido e afirmou que cabe ao eleitor decidir se o futuro do Japão pode ser confiado a uma organização com esse perfil.




