Tóquio, Japão – Mais de 900 voos que seriam operados da China para o Japão em dezembro foram cancelados após o governo chinês emitir um alerta pedindo que seus cidadãos evitassem viajar ao país.
Segundo o jornal Nihon Keizai, em matéria publicada no domingo, 904 voos — o equivalente a 16% dos 5.548 voos programados para o mês — já haviam sido suspensos, número que triplicou em apenas dois dias.
O presidente da empresa Kansai Airport, Yoshiyuki Yamaya, que opera os aeroportos de Kansai, Itami e Kobe, afirmou em uma coletiva nesta segunda-feira (1) que os voos vindos da China devem cair cerca de 34% na segunda semana de dezembro, em comparação com as previsões iniciais para o período.
A redução é consequência direta do pedido do governo chinês para que seus cidadãos evitem viajar ao Japão, devido a comentários feitos pela primeira-ministra Sanae Takaichi sobre Taiwan, informou a agência Kyodo.
Segundo a programação original, estavam previstos 525 voos semanais entre a China e Kansai durante a temporada de inverno. No entanto, para a segunda semana de dezembro, o número deve cair para 348 voos. A partir de janeiro de 2026, a diminuição deve se estabilizar em torno de 28%.
“Não sabemos como a situação vai evoluir. A recuperação rápida seria o ideal”, disse Yamaya.
Cancelamentos se multiplicam
A China emitiu o alerta em 14 de novembro, após declarações de Takaichi sobre uma possível intervenção do Japão em defesa de Taiwan caso ocorra um conflito com a China.
Os cancelamentos já causam reflexos no setor de turismo, especialmente em áreas tradicionalmente dependentes do fluxo de visitantes chineses, de acordo com o jornal Sankei.
Segundo o Osaka Tourism Bureau, cerca de 20 redes hoteleiras relataram o cancelamento de 50% a 70% das reservas de hóspedes chineses até o fim de dezembro.
Em contraste, hotéis da região de Tóquio afirmam que, até o momento, não houve muito impacto, revelando diferenças regionais no comportamento dos visitantes.
Setor permanece cauteloso, mas vê mudança estrutural
Apesar das perdas, analistas e empresas do ramo se mostram mais cautelosos do que alarmados. O setor já vinha reduzindo a dependência do mercado chinês, que antes exercia forte influência sobre o turismo japonês.
Mesmo assim, os efeitos de curto prazo são inevitáveis. Há temor de um baque significativo durante o feriado do Ano Novo Lunar, em fevereiro, período tradicionalmente forte para o turismo vindo da China.
Com a queda na demanda, hotéis de Tóquio, Osaka e Quioto já começam a registrar queda nos preços de hospedagem, após meses de alta provocada pelo excesso de turistas, segundo o jornal Sankei.
Visitantes chineses ainda lideram, mas participação diminui
Dados da Organização Nacional de Turismo do Japão (JNTO) mostram que, entre janeiro e outubro deste ano, o país recebeu 35,5 milhões de visitantes. A China permanece em primeiro lugar, representando 23% dos turistas, mas essa participação já é menor que os 30% registrados em 2019.
Ao mesmo tempo, o Japão registrou recorde de turistas vindos de 13 países e regiões, incluindo Coreia do Sul, Taiwan e Estados Unidos, no mês de outubro. Visitantes do Oriente Médio e da Alemanha tiveram crescimento expressivo, de 33,8% e 29,2%, respectivamente.




