Tóquio, Japão – A China reimplantou a suspensão de importações de frutos do mar japoneses, conforme informações de Kyodo News, nesta quarta-feira (19). A decisão ocorre em meio a uma disputa diplomática entre China e Japão devido às declarações da primeira-ministra, Sanae Takaichi, a respeito de Taiwan.
A China alegou a necessidade de de monitorar a água radioativa tratada liberada pelo complexo nuclear de Fukushima. No início deste mês, o país havia retomado a compra de frutos do mar do Japão após suspender a proibição total de importação imposta em agosto de 2023, após o início do vazamento de água.
A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Mao Ning, declarou em entrevista coletiva que o Japão ainda não forneceu os “materiais técnicos” necessários para garantir a qualidade e a segurança dos frutos do mar japoneses, o que é um pré-requisito para sua entrada no mercado chinês.
Mao Ning mencionou que as “declarações equivocadas” de Takaichi provocaram “forte indignação pública na China”. “Nas circunstâncias atuais, mesmo que os frutos do mar japoneses fossem exportados para a China, não haveria mercado”, afirmou.
Em coletiva de imprensa, o secretário-chefe do Gabinete, Minoru Kihara, negou que o Japão tenha recebido tal notificação do governo chinês, porém, afirma que o governo continuará pressionando Pequim para que implemente medidas que permitam a “exportação tranquila” de frutos do mar japoneses.
Declarações da primeira-ministra ainda repercutem
Japão e China têm vivenciado um aumento nas tensões nos últimos dias, com Pequim criticando duramente as declarações de Takaichi no Parlamento, em 7 de novembro, de que um ataque militar a Taiwan poderia representar uma “situação de risco de sobrevivência” para o Japão, indicando o potencial envolvimento de suas Forças de Autodefesa.
A China, governada pelo Partido Comunista Chinês, e Taiwan são governadas separadamente desde sua divisão devido à guerra civil de 1949. A China considera a ilha democrática e autônoma como uma província separatista a ser reunificada com o continente, pela força se necessário, e vê a questão de Taiwan como um assunto “interno”.




