Tóquio, Japão – O parlamentar Yuichiro Tamaki, líder do Partido Democrático do Povo do Japão, que faz oposição ao governo japonês, usou sua conta na rede social X (antigo Twitter) na quarta-feira (28) para explicar uma declaração feita durante uma sessão da Comissão de Agricultura, Silvicultura e Pesca do Parlamento, o que gerou controvérsia.
Durante o debate com o ministro da Agricultura, Shinjiro Koizumi, Tamaki comentou sobre o arroz de reserva do governo, referente à safra de 2021.
“Esse arroz, que agora dizem que será distribuído para pequenos supermercados, na verdade seria destinado à ração animal no próximo ano. Se é um produto que viraria comida de animal daqui a um ano, é natural que seja vendido mais barato”, disse.
A declaração repercutiu na mídia e gerou críticas. Em resposta, Tamaki publicou um texto explicativo longo na plataforma X, esclarecendo:
“Diante de possíveis mal-entendidos sobre minha fala de que ‘o arroz de reserva vira ração para animais após um ano’, gostaria de oferecer uma explicação complementar.”
O parlamentar detalhou o sistema atual de armazenamento de arroz do governo. Segundo ele, caso o arroz reservado não seja utilizado como alimento básico por até 5 anos, ele é destinado à produção de ração animal e vendido a preços reduzidos.
Tamaki acrescentou: “O arroz da safra de 2021 que será distribuído agora aos pequenos supermercados estaria programado para virar ração no próximo ano, caso não fosse aproveitado antes. Minha intenção não era criticar isso, mas sim levantar uma questão importante: para os consumidores, o ideal seria que os preços de arroz popular, como o Sasanishiki e o Koshihikari, se tornassem mais acessíveis. Apenas liberar arroz de reserva não resolve isso — e, portanto, não ajuda a alcançar a meta proposta pelo primeiro-ministro (Shigeru) Ishiba de baixar o preço para a faixa dos 3.000 ienes.”
O parlamentar também afirmou que acredita que o ministro Koizumi compreendeu a essência de seu argumento, já que está familiarizado com o sistema de estocagem governamental.
Tamaki aproveitou para defender uma reforma estrutural na política do arroz no Japão. “Não precisamos de soluções improvisadas, como aumentar importações sem planejamento. É hora de superar a política de redução de plantio que já dura meio século e construir um sistema que garanta o fornecimento estável de arroz como alimento básico”, disse.
Ele ainda ressaltou a necessidade de um novo sistema de pagamento direto aos agricultores, que garanta renda suficiente para a continuidade da produção.
Fala decepcionante
O ministro Shinjiro Koizumi, ao ser questionado pela imprensa, comentou: “Mesmo que o que foi dito seja verdade, fazer esse tipo de observação justamente agora, enquanto estamos discutindo formas de liberar o arroz estocado, deixa uma impressão um tanto decepcionante.”
Segundo informações disponíveis no site oficial do Ministério da Agricultura, Silvicultura e Pesca do Japão, o arroz de reserva é armazenado por cerca de cinco anos. Após esse período, caso não seja utilizado como alimento, é vendido como arroz para ração animal ou para outros fins não alimentícios.
O governo começou a vender arroz estocado da safra de 2022 diretamente para redes de supermercados e outras empresas. As vendas devem começar já no início de junho por cerca de 2.000 ienes um pacote de 5 quilos.
Em relação à safra de 2021, citada por Tamaki, o governo pretende vender o arroz para supermercados menores. Nesse caso, o preço final ao consumidor deve ficar em torno de 1.800 ienes, mais barato que a safra de 2022.
Foto: Reprodução/JNN
Yuichiro Tamaki, líder do Partido Democrático do Povo do Japão




