Tóquio, Japão – A crise sobre o preço do arroz no Japão continua. Desta vez, o ministro da Agricultura, Silvicultura e Pesca do Japão, Taku Etō, voltou atrás após provocar forte reação pública ao afirmar em um evento que nunca comprou arroz, pois “ganha tanto dos apoiadores que tem até para vender em casa”. A fala, dada no dia 18 de maio durante uma palestra em Saga, gerou críticas diante da alta no preço do arroz que afeta consumidores em todo o país.
Segundo a emissora pública NHK, o ministro declarou: “Nunca comprei arroz. Muitos apoiadores me dão arroz. Tenho tanto que daria até para vender. Está cheio na despensa da minha casa.” A declaração foi feita no contexto de um seminário político do Partido Liberal Democrata (PLD), no qual Etō discutia a possibilidade de ampliar a distribuição de arroz estocado pelo governo.
Diante da repercussão negativa, Etō tentou se justificar no dia seguinte: “Queria enfatizar que mesmo o arroz não polido (genmai) é importante para os consumidores. Acabei me expressando de maneira imprecisa.” Em seguida, reconheceu que “compra arroz regularmente” e que suas palavras não refletiram a realidade. “Peço desculpas por ter causado confusão. Faltou sensibilidade com os consumidores.”
“Comprei arroz na semana passada no supermercado perto de casa”
Durante sessão no Comitê de Contas do Senado, Etō foi ainda mais direto: “Dizer que nunca comprei arroz foi um erro. Comprei na semana passada no supermercado perto de casa. A fala foi inapropriada. Sinto muito pelas pessoas que lutam para encontrar arroz e se sentiram ofendidas com o que eu disse.”
Após encontro com o primeiro-ministro Shigeru Ishiba, o ministro relatou que recebeu uma bronca severa: “O primeiro-ministro me disse que minha fala foi extremamente inadequada tanto para consumidores quanto para produtores. Fui duramente repreendido e instruído a refletir profundamente e me dedicar para reduzir o preço do arroz.”
Apesar das críticas, Ishiba decidiu manter Etō no cargo por enquanto. “Ele me disse que, se eu achasse necessário, entregaria o cargo. Mas optamos por seguir adiante, com ele pedindo desculpas publicamente e corrigindo suas declarações”, afirmou o primeiro-ministro à imprensa.
O caso segue gerando repercussão. A oposição, como o Partido Democrático Constitucional do Japão, considera apresentar uma moção de censura. “A fala foi inaceitável, demonstra falta de discernimento e pode colocar em xeque a política de abastecimento sob sua gestão”, disse o secretário-geral Kenta Ogawa.
Enquanto isso, a população lida com arroz caro e escasso nas prateleiras. E o ministro, agora, tenta apagar o incêndio provocado por suas próprias palavras — que, segundo ele mesmo, foram “imprecisas”, mas que muitos japoneses chamaram de “desrespeitosas”.
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