Tóquio, Japão – Caiu para cerca de 70% a proporção de cães de estimação que foram vacinados contra a raiva nos últimos anos. O governo acredita que a falta de casos da doença possa ter levado as pessoas a não imunizar seus animais de estimação, publicou a Kyodo News.
Um caso emblemático ocorreu na província de Gunma em fevereiro de 2022, quando um cão atacou dezenas de pessoas, inclusive crianças, e o animal não havia sido vacinado contra a raiva.
O dono do cão resumiu a situação: “Achei que as vacinas faziam mal ao corpo.” Ele explicou que um de seus cães havia morrido após a inoculação.
Pela Lei de Prevenção da Raiva no Japão, os proprietários são obrigados a vacinar os seus cães contra a raiva uma vez por ano, e aqueles que não o fizerem serão multados em até 200.000 ienes (1.300 dólares).
O Japão não tem registro de casos ativos em humanos desde 1956 e em animais desde 1957.
Na década de 1990, quase todos os cães de estimação foram vacinados contra a raiva, mas a taxa caiu para menos de 80% no ano fiscal de 2000.
O número total de cães registrados nos governos locais nos últimos 20 anos fica em torno de 6 milhões.
Para o professor Naoto Ito, da Universidade de Gifu e especializado em doenças zoonóticas, a falta de infecções e a proliferação de informações enganosas online sobre a eficácia e segurança das inoculações são responsáveis pela queda nas taxas de vacinação.
Ito considera que a probabilidade de a raiva entrar no Japão permanece baixa devido às rigorosas medidas de quarentena. No entanto, a propagação da doença em 2013 entre furões texugos em Taiwan, onde não houve casos confirmados de raiva durante mais de 50 anos, mostra a necessidade de estar vigilante.
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