Atualizado em: 03/04/2024 14:22
Tóquio, Japão – No escândalo de mal uso de fundos partidários os Promotores de Tóquio apresentaram até agora acusações contra oito pessoas. Estima-se que quase 1 bilhão de ienes foi arrecadado de maneira irregular por facções dentro do Partido Liberal Democrático (PLD). Alguns dos oito receberam acusações sumárias, enquanto outros foram indiciados sem prisão, publicou o jornal Yomiuri.
Em entrevista a jornalistas, um dos promotores disse com relação aos acusados: “Concluímos que seus atos foram todos intencionais e prejudiciais.”
Entre os indiciados estão três ex-gerentes de contabilidade das facções Abe, Nikai e Kishida e cinco que foram legisladores dessas facções e seus secretários.
Diante do montante envolvendo a malversação do dinheiro, a equipe de investigadores do Ministério Público do Distrito de Tóquio exige penas de prisão em julgamento para os dois contadores destas facções, segundo pessoas com conhecimento do assunto.
Quatro das oito indiciadas receberam acusações sumárias pelos procuradores, como é o caso do ex-gerente de contabilidade da facção Kishida, cujo valor não declarado totalizou de ¥ 30 milhões a ¥ 50 milhões, membro da Câmara Baixa no Parlamento, Yaichi Tanigawa, 82, seu secretário e o secretário de Toshihiro Nikai, 84, o líder da facção Nikai e o antigo secretário-geral do PLD.
O membro da Câmara Alta no Parlamento, Yasutada Ono, 64, nega a alegação de que conspirou para não declarar o dinheiro. Então os procuradores optaram por indiciá-lo sem prisão, uma vez que a acusação sumária é feita no pressuposto de que o arguido admitiria as acusações.
Os promotores devem decidir o destino do legislador Yoshitaka Ikeda, 57, e seu contador – que foram detidos em 7 de janeiro devido a preocupações com a destruição de provas. Uma decisão deverá ser tomada até 26 de janeiro, quando o período de detenção termina. O valor não informado por eles totaliza cerca de ¥ 48 milhões. Caso admitam as acusações, poderão receber acusações sumárias.
Ao mesmo tempo, os promotores não abriram processo contra altos executivos das facções envolvidas no escândalo. Eles teriam concluído que os figurões do partido não estiveram envolvidos na preparação de relatórios sobre fundos políticos e que estes crimes foram cometidos por membros envolvidos em trabalho administrativo.
Consta que os investigadores interrogaram repetidamente os executivos do partido, mas estes disseram que não tinham conhecimento sobre fundos não declarados. Os promotores disseram que não encontraram nenhuma outra prova objetiva e, por esse motivo, não reconheceram a ocorrência de qualquer conluio.
Eleitores raivosos
O fato é que o escândalo gerou muitas críticas entre os eleitores. Uma mulher de 62 anos de idade de Saitama resumiu o quadro: “Isto é absolutamente ridículo e imperdoável”, referindo-se à decisão do Ministério Público do Distrito de Tóquio de não abrir processo contra executivos da maior facção do PLD, que leva o nome do ex-premiê Shinzo Abe, noticiou a Jiji Press.
A indignação também não pôde ser contida por um alto funcionário de 82 anos de uma organização sem fins lucrativos no distrito de Toshima, em Tóquio, quando os figurões da facção Abe alegaram que o mau uso dos fundos partidários foram supervisionados exclusivamente por Abe, que foi assassinado em 2022.
Este alto funcionário disse: “Esta é uma farsa e a culpa não deve ser atribuída ao falecido. Não há necessidade de facções se elas pretendem criar fundos secretos.”
Um outro eleitor de 43 anos de Yokohama, na província de Kanagawa, comentou: “Os funcionários indiciados da facção são meros bodes expiatórios feitos para os executivos dos grupos, que ainda não resolveram todo o problema.”
Dissolução das facções
Dentro do PLD existem várias facções. O ex-primeiro-ministro Taro Aso lidera a segunda maior, chamada de Aso, e deve resistir à pressão pela dissolução do grupo no partido, alegando que os fundos políticos ali foram geridos adequadamente.
O primeiro-ministro Fumio Kishida, da facção Kishida, a quarta maior no PLD, sugeriu na quinta-feira (18) dissolver seu grupo, para dissipar a desconfiança dos eleitores. As lideranças das facções Abe e Nikai deverão seguir pelo mesmo caminho.
As facções, segundo o Yomiuri, atuam nas tomadas de decisões dentro do PLD. O partido tem cerca de 370 legisladores, sendo que o líder normalmente se torna primeiro-ministro. E os legisladores podem obter fundos de campanha e apoio para ocupar cargos ministeriais através de seus grupos.
Foto: Reprodução
Primeiro-ministro Fumio Kishida do PLD