Atualizado em: 03/04/2024 14:37
Tóquio, Japão – Embora uma pesquisa mostre que 86,6% dos eleitores japoneses apoiem leis mais rígidas de controle de fundos políticos no Japão, em meio ao escândalo envolvendo o Partido Liberal Democrático (PLD), que está no comando do país, o Ministério Público poderá deixar de fora de punições os figurões envolvidos no caso, como publicou a agência Kyodo News.
A pesquisa foi feita pela Kyodo e divulgada no domingo (14), na qual ficou claro que muitos dos eleitores estão insatisfeitos com a forma como o primeiro-ministro Fumio Kishida e seus parceiros estão lidando com o escândalo. Para 80,2% dos entrevistados as facções do PLD deveriam ser extintas na sequência do escândalo.
Sem processo?
Ao mesmo tempo, a Kyodo News publicou que é improvável que os promotores públicos processem criminalmente figurões da facção Abe, do PLD, suspeitos de envolvimento no escândalo de arrecadação de fundos políticos, segundo fontes próximas ao assunto.
A facção que foi liderada pelo ex-primeiro-ministro Shinzo Abe tem membros suspeitos de não reportarem centenas de milhões de ienes em receitas obtidas em eventos para angariar fundos partidários. A prática teria ocorrido nos últimos cinco anos.
Promotores públicos estão investigando se os legisladores da facção conspiraram com o contador, violando a lei de controle de fundos políticos, e aparentemente não veem nenhuma evidência objetiva de tal conluio, disseram as fontes.
Os figurões, no caso, são o ex-chefe de assuntos do Parlamento no PLD, Tsuyoshi Takagi, hoje no cargo de secretário-geral; o ex-secretário-chefe de gabinete, Hirokazu Matsuno; e o ex-ministro do Comércio Yasutoshi Nishimura, que ocupava seu cargo principal. Outros tubarões da facção são o ex-chefe político do PLD, Koichi Hagiuda, e Hiroshige Seko, ex-secretário-geral do partido na Câmara dos Conselheiros.
As fontes disseram para a Kyodo que uma proposta surgida na facção Abe para acabar com a prática que gerou o escândalo não foi aprovada.
Os procuradores interrogaram Nishimura e outros, mas não encontraram provas de envolvimento no escândalo monetário. Os investigadores, porém, consideram indiciar o contador, sem prisão, segundo as mesmas fontes. A lei prevê pena de prisão de 5 anos no caso do contador, ou multa de até 1 milhão de ienes.
Em conexão com as alegações de escândalo financeiro, o membro da Câmara dos Representantes, Yoshitaka Ikeda, do grupo intrapartidário, tornou-se a primeira pessoa a ser presa no início deste mês.
Foto: iStockphoto
Fachada do Parlamento japonês