IWATA - O caso do pastor brasileiro que publicou vídeos denunciando a atitude de um médico na última quinta-feira (22) repercutiu na comunidade brasileira e se tornou assunto também na mídia japonesa.
Na terça-feira (27), o hospital reconheceu o uso de palavras inadequadas no atendimento e se desculpou com a família do brasileiro, conforme foi informado pelo jornal Chunichi nesta quarta-feira (28).
O caso ocorreu em dezembro do ano passado, quando o pastor levou a filha de seis anos às pressas de ambulância para um hospital em Iwata (Shizuoka). A menina havia passado mal e estava com sintomas como paralisia das mãos e pernas e hemorragia.
Segundo o pastor Dorgival Temóteo, os médicos atenderam por volta das 2h e pediram para que eles fossem embora para a casa. O brasileiro julgou que o estado da menina era grave e pediu a transferência para outro hospital, que foi negada pelos profissionais.
Neste momento, o pastor relatou que outro médico apareceu alterado e mandou que eles fossem embora, chamando de gaijin (expressão preconceituosa para estrangeiros). Após isso, o médico teria dito kuso shine (morra, em linguagem vulgar) durante o atendimento.
Nesta quarta-feira, o hospital reconheceu o linguajar inadequado e o diretor da instituição deu uma advertência para o médico.
O hospital declarou que no momento do ocorrido havia outros pacientes em estado grave aguardando e que o médico teria se irritado com a situação.
Segundo informações do hospital, o problema de comunicação com o brasileiro causou estresse, já que houve mal entendido na explicação. No entanto, o hospital garantiu que não houve intenção de discriminar a paciente e negou a utilização da palavra gaijin durante o ocorrido.
Ao ser atendida em outro hospital, a menina ficou internada por três dias com infecção e hemorragia. Segundo o pastor, os médicos da outra instituição disseram que a menina poderia ter morrido.
Na segunda-feira (26), o pastor se dirigiu ao consulado brasileiro de Hamamatsu para contar o ocorrido. Segundo a vice-cônsul, Ariadne Neves Ferreira, a consulta com o brasileiro foi importante para que os fatos fossem esclarecidos. O consulado geral do Brasil também mostrou interesse pelo ocorrido.
OS VÍDEOS
Na quinta-feira (22), o pastor postou dois vídeos no Youtube e divulgou o ocorrido pelo Facebook. O primeiro vídeo publicado (https://www.youtube.com/watch?v=pnme3ldROow) mostra a conversa com os médicos em que o brasileiro acusa de ter sido mal atendido e discriminado. No vídeo, os profissionais aparecem pedindo desculpas ao brasileiro.
No segundo vídeo (https://www.youtube.com/watch?v=vR6ZkFcyrd4), publicado no mesmo dia, os médicos pedem para ele ir embora e o pastor questiona sobre o que irão fazer se der algum problema. Durante o vídeo, um médico diz para ele processar se quiser.
O pastor confessou que a filha já sofreu discriminação e que nunca conseguiu fazer nada para mudar isso. Com o ocorrido no hospital, o líder religioso disse que postou os vídeos com a intenção de provocar alguma mudança nesta realidade.
Foto: Reprodução


















