Hamamatsu – Para suprir com informações da comunidade brasileria no Japão, a serem enviadas aos organizadores da 1ª Conferência sobre Questões de Gênero na Imigração Brasileira, o Consulado-Geral do Brasil em Hamamatsu (Shizuoka) realizou na quarta-feira uma plenária pública, reunindo líderes da comunidade.
Na ocasião foram discutidos diversos problemas enfrentados pelos brasileiros residentes na jurisdição de Hamamatsu e as ações que poderiam ser adotadas no Brasil e no exterior.
A 1ª Conferência sobre Questões de Gênero na Imigração Brasileira será realizada em Brasília nos dias 4 a 6 de novembro de 2014. O evento será organizado pelo Ministério das Relações Exteriores, com a participação de outros órgãos federais que tratam do assunto.
Temas que afetam as comunidades brasileiras no exterior, tais como violência doméstica, guarda de menores, imagem estereotipada da mulher brasileira, saúde feminina, setores carentes da diáspora, assuntos relacionados à comunidade LGBT e outros, serão discutidos com o objetivo de buscar políticas específicas e linhas de ação.
A plenária contou com a participação do cônsul-geral do Brasil em Hamamatsu, José Antonio Gomes Piras; do vice-cônsul José Acioli e da vice-consulesa, Patricia Ramos dos Passos.
Lucia Yamamoto, uma das participantes, levantou a questão da violência doméstica como uma situação delicada, pois no Japão não se expõe tanto e sendo pouco visível, como lidar com esse problema?
Eunice Ishikawa citou a gravidez na adolescência, impossibilitando a jovem de prosseguir nos estudos. “Sabemos que existe a família para apoiá-la e que muitos pais registram suas crianças em seu nome, porém, não ajudam na educação delas. Não há um estudo sobre esse assunto justamente porque não querem aparecer nas estatísticas, mas acredito que esse tema deveria ser abordado com mais seriedade.”
Fernado Okada lembrou que assuntos de violência doméstica, de problemas entre pais e filhos, retenção de passaporte, guarda de filho, os órgãos japoneses praticamente lavam as mãos, dizem que não é assunto deles e que se dirijam ao consulado. “Os brasileiros geralmente não querem ir para abrigos (Centro de Apoio à Mulher) e os filhos acabam se tornando munição para os problemas conjugais”.
Alan Hideki Uchida completa afirmando que as mulheres que procuram abrigos geralmente acabam retornando ao local de origem, devido aos filhos e por não conseguirem trabalho na cidade onde buscaram refúgio. Atuando no setor de Relações Internacionais, ele citou um levantamento da província de Shizuoka: entre 2008 a 2013, 18 pessoas utilizaram o abrigo temporário, sendo que em 2012 foram cinco pessoas e 2013, três pessoas.
O padre Evaristo Higa citou que na igreja frequentam três autistas, com idades de 6, 7 e 14 anos e que duas jovens dizem abertamente que são lésbicas.
Cristina Ando é do ramo educacional e reconhece a existência de crianças autistas, hiperativas e com distúrbios, porém não aparecem em nenhuma estatística e são recomendados a procurar órgãos japoneses, porém, não havendo intérpetres, os pais dessas crianças ficam desorientados.
Durante a plenária, também foram abordados temas como as Eleições 2014 e os resultados da 1ª Conferência sobre Migrações e Refúgio, realizada em São Paulo, entre os dias 30 de maio e 1º de junho deste ano, com a participação de Vanessa Handa, do ETB – Espaço do Trabalhador Brasileiro.
Foto: Osny Arashiro/Alternativa
Plenária foi realizada no Consulado de Hamamatsu


















