Tóquio, Japão – O Google anunciou nesta terça-feira (9) o início do “Modo IA” em japonês e português no seu serviço de busca na internet, um novo recurso que utiliza inteligência artificial para responder a perguntas mais complexas, levando em conta o contexto.
Segundo o site Impress Watch, o lançamento será gradual nas próximas semanas e estará disponível tanto em navegadores para PC e dispositivos móveis quanto nos aplicativos do Google para Android e iOS.
Até agora, o Modo IA já funcionava em inglês em 180 países e regiões. Agora, passa a oferecer suporte também em japonês, hindi, indonésio, coreano e português.
Como funciona o Modo IA
O recurso expande a função de “resumo com IA”, já disponível em buscas, e se mostra especialmente útil para tarefas mais elaboradas, como perguntas exploratórias, recomendações de locais, planejamento de viagens e compreensão de procedimentos complexos.
Por exemplo, ao planejar uma viagem a Quioto, em vez de digitar apenas “Quioto viagem”, o usuário pode pedir: “Monte um roteiro de 7 dias saindo da estação de Quioto, com atividades voltadas a artesanato tradicional e locais históricos, incluindo sugestões de restaurantes para o jantar.”
O sistema não só cria um itinerário detalhado, como permite aprofundar a busca com perguntas adicionais, como “Quais festivais acontecem em outubro perto dessa região?”
Na interface, o Modo IA aparece como uma aba extra ao lado de “Todas”, “Notícias”, “Imagens” etc. Ao selecionar essa aba, os resultados são processados pela inteligência artificial.
Tecnologia por trás
Para viabilizar o recurso, o Google utiliza a tecnologia chamada “query fan-out”, que divide uma pergunta em subtemas e executa buscas em nome do usuário. Assim, é possível explorar a web de forma mais profunda e encontrar conteúdos altamente relevantes para cada aspecto da questão.
O Modo IA roda em uma versão customizada do Gemini 2.5, permitindo buscas multimodais — ou seja, respostas que podem incluir imagens e vídeos. Ele também funciona integrado ao recurso Circle to Search do Android.
Exemplo: ao fotografar um cardápio em espanhol e perguntar “Quais desses pratos são vegetarianos?”, o sistema identifica os itens adequados e explica os ingredientes.
“Busca deixa de ser só informação e passa a ser inteligência”
Segundo Hema Budaraju, vice-presidente de gerenciamento de produto do Google Search, “ao integrar as capacidades do Gemini com o poder de coleta de informações do Google Search, a busca evolui de informação para inteligência”.
Ela destacou que, embora a IA seja amplamente utilizada, os resultados continuam baseados nos sistemas de qualidade e ranqueamento do Google, representando uma nova abordagem para fortalecer a confiabilidade e a factualidade.
Polêmicas e preocupações
Nos EUA, onde o recurso estreou primeiro, alguns editores e detentores de direitos reclamaram de queda no tráfego de seus sites, alegando que usuários clicam menos nos links.
Budaraju negou impacto negativo, afirmando que “bilhões de cliques continuam sendo gerados” e que possíveis reduções em acessos têm múltiplas causas. Ele ressaltou ainda que o Modo IA mantém links diretos para os sites de origem, fortalecendo a conexão com os provedores de conteúdo.
Outra crítica aos buscadores baseados em IA, como o Perplexity, é que alguns ignoram instruções do arquivo robots.txt, que regula o que pode ou não ser rastreado. No caso do Modo IA, o Google garantiu que o sistema respeita a lógica do próprio mecanismo de busca, permitindo que os editores optem por excluir seu conteúdo.
O Google também revelou que está testando a inserção de anúncios abaixo das respostas de IA, com planos de expandir o modelo de monetização futuramente.




