Tóquio, Japão – A operadora NTT Docomo encerra definitivamente os seus serviços de rede 3G nesta terça-feira (31). A tecnologia, utilizada principalmente nos celulares antigos conhecidos como “garakei”, deixará de funcionar após décadas de operação.
Segundo dados da empresa, cerca de 300 mil clientes ainda possuem contratos vinculados a essa rede e precisam realizar a migração imediata.
A partir de 1º de abril, os aparelhos compatíveis apenas com o 3G perderão a conexão totalmente. Com isso, os usuários não conseguirão realizar chamadas, enviar e-mails ou sequer completar ligações de emergência.
A empresa intensificou a distribuição de panfletos e a fixação de cartazes em lojas para alertar os consumidores sobre a necessidade de trocar de aparelho ou plano ainda este mês.
NTT Docomo e o fim de uma era nas telecomunicações
O Japão foi pioneiro mundial no lançamento do 3G em 2001. Na época, a tecnologia permitiu que os celulares tipo “flip” transmitissem fotos e vídeos em alta velocidade pela primeira vez.
No entanto, a chegada do 4G em 2010 e do 5G em 2020 mudou o mercado. A maioria dos usuários migrou para os smartphones, o que reduziu gradualmente a base de clientes da rede antiga.
Com o movimento da NTT Docomo, todas as grandes operadoras do país concluem a transição tecnológica. A KDDI encerrou seu sinal em 2022, enquanto a SoftBank finalizou o serviço em 2024. Agora, o foco das empresas se volta totalmente para as infraestruturas mais modernas e velozes.
Novas opções para o público idoso
Apesar do fim do 3G, a demanda por aparelhos com botões físicos continua relevante, especialmente entre os idosos. Por isso, fabricantes investem em modelos com design clássico, mas equipados com tecnologia 4G.
A fabricante sul-coreana ALT, por exemplo, lançou em fevereiro um modelo dobrável adaptado ao mercado japonês. O dispositivo possui tela sensível ao toque e funções simplificadas para garantir um preço mais acessível.
Nesse sentido, o COO da subsidiária japonesa da ALT, Kim Hee-cheol, destacou a importância estratégica do país. “O Japão possui uma população idosa numerosa e queremos consolidar nossa presença atendendo a esse público”, afirmou o executivo.
Além disso, a FCNT, sucessora da divisão de celulares da Fujitsu, lançou um novo modelo em 2025. O aparelho foca em segurança, oferecendo gravação automática de chamadas de números desconhecidos e botões de discagem rápida.
Mercado de celulares tradicionais permanece ativo
Dados da consultoria MM Research Institute revelam que, embora 90% dos celulares enviados ao mercado no último ano fossem smartphones, os modelos “garakei” somaram 850 mil unidades. Esse volume prova que existe uma parcela fiel de consumidores que prefere a praticidade do teclado físico.
Dessa forma, as fabricantes planejam manter o desenvolvimento de aparelhos com o formato antigo, mas integrados às redes 4G e 5G.
O objetivo é garantir que a transição digital não exclua quem ainda tem dificuldade com as telas totalmente digitais. Portanto, os usuários atuais do 3G possuem alternativas modernas que mantêm a experiência de uso familiar.
Perguntas frequentes
- O que acontece se eu não trocar meu celular 3G até o fim de março?
A partir de 1º de abril, o aparelho perderá todo o sinal de rede. Você não conseguirá fazer ligações, enviar mensagens ou acessar a internet. O contrato será cancelado automaticamente pela operadora. - Ainda existem celulares de “abrir e fechar” que funcionam no Japão?
Sim. Diversas fabricantes como ALT e FCNT produzem modelos com o design clássico (flip), mas que utilizam as redes modernas 4G e 5G. Eles são ideais para quem prefere botões físicos e menus simplificados. - As outras operadoras ainda possuem sinal 3G?
Não. A NTT Docomo é a última grande operadora a desligar o serviço. A KDDI e a SoftBank já encerraram suas redes 3G nos anos anteriores, unificando o padrão de telecomunicações no país.





São os pobres e os idosos que não podem trocar pois irão passar necessidades