Temos ainda em mente que os pais são os cuidadores insubstituíveis e que protegerão seus filhos em qualquer situação, mas isso não é bem o que acontece na realidade. Existem pais de todos os tipos, incluindo os que por incapacidade emocional ou algum transtorno mental, não estão aptos a exercer o papel da parentalidade.
Ainda hoje, existe a imagem idealizada de que o amor dos pais pelos filhos é incondicional, instintivo e sem nenhuma expectativa. Na verdade, é um amor como qualquer outro, e demanda esforços diários de compreensão, presença, participação emocional, financeira e de cuidados.
O amor não surge do nada. No entanto, podemos aprender a amar, mesmo que não tenhamos experienciado o amor desde o berço. É, no entanto, um processo para ser trabalhado em terapia pessoal.
Às vezes, um pai ou uma mãe pensa que ama o seu filho, mas está constantemente controlando o lugar onde ele está ou dando objetos ao invés de estar presente, ou ainda constantemente ansioso com relação ao futuro de seu filho, pensando se ele será capaz de realizar suas atividades sozinho. Poderíamos até pensar que isso seria uma forma de amor, mas tudo o que é exagero, também é nocivo. O controle que pensamos poder exercer sobre os outros e a nós mesmos, conota uma forma de abuso psicológico.
Se for inconsciente, pode ser ainda mais perigoso, porque ele é nocivo ao outro e a pessoa abusadora (pai ou mãe) tem a impressão de estar fazendo o melhor possível para o seu filho. Além disso, essa mãe ou pai não vai entender o motivo das agressões e da rebeldia do filho em idade mais avançada quando ele começar a perceber o tamanho da “teia de aranha” na qual está preso.
A criança é indefesa, e não se dá conta dos maus-tratos ou do abuso psicológico que pode estar sofrendo. Cabe aos outros – familiares, professores ou instituições de apoio, como é o caso da NPO Sabja – o dever de cuidar e ter atitudes face a uma situação de violência psicológica. Quanto mais ativos formos, maiores serão as chances das crianças crescerem de forma harmoniosa e saudável (antes de tudo, emocionalmente).
Caso você perceba a existência de maus-tratos (físicos e emocionais) em crianças, entre em contato conosco. Oferecemos ajuda psicológica e jurídica gratuita. Seja ativo, antes que seja tarde demais!
Rúbia Infanti é psicóloga
O Serviço de Assistência aos Brasileiros no Japão (NPO Sabja) oferece atendimento geral e psicológico pelo telefone 050-6861-6400, das 10h às 16h, ou pelo e-mail nposabja@gmail.com
Artigo publicado na edição 528 da Alternativa
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