Tóquio, Japão – O jornal Yomiuri publicou um artigo na segunda-feira (2) em que analisa a política para estrangeiros no Japão como um dos principais temas das eleições para a Câmara Baixa do Parlamento, destacando o desafio de conciliar o reforço das regulações com a convivência multicultural.
Segundo o texto, em meio ao avanço da escassez de mão de obra, os trabalhadores estrangeiros tornaram-se “uma presença indispensável para a manutenção da sociedade”.
O jornal ressalta, porém, que, embora a maioria dos estrangeiros “viva de forma séria e responsável”, o aumento no número de pessoas vindas do exterior tem provocado “diversos atritos”, tornando necessário discutir como criar uma sociedade em que “japoneses e estrangeiros possam viver juntos com segurança e tranquilidade”.
O artigo lembra que o governo japonês decidiu, no mês passado, uma nova diretriz básica para a política migratória. O plano mantém o objetivo de promover a convivência, mas aponta que atos de alguns estrangeiros que “desrespeitam leis e regras” têm levado parte da população a sentir “insegurança e injustiça”, o que motivou a proposta de endurecimento das regulações.
Entre as medidas citadas estão o fortalecimento da fiscalização contra o trabalho ilegal, a investigação de estrangeiros com impostos ou contribuições sociais em atraso e a análise da ampliação dos crimes passíveis de deportação, atualmente concentrados em delitos graves, como homicídios e crimes relacionados a drogas.
O Yomiuri destaca que reforçar o combate a irregularidades e crimes não deve ser confundido com xenofobia, afirmando que exigir o cumprimento das regras é uma resposta considerada razoável para “dissipar a ansiedade da população”.
Outro ponto abordado é a possibilidade de restringir a compra de terras por estrangeiros em áreas consideradas sensíveis para a segurança nacional, como arredores de instalações das Forças de Autodefesa. O governo pretende definir sua posição até o verão, mas o jornal alerta que esse debate exige cautela, já que o Japão aderiu em 1995 a um acordo internacional que proíbe restrições injustificadas à aquisição de terrenos por entidades estrangeiras, o que pode gerar conflitos com compromissos internacionais.
No cenário eleitoral, o artigo observa que têm se multiplicado discursos defendendo que “bons estrangeiros devem entrar e os maus devem sair” ou associando estrangeiros à alta especulativa dos preços dos imóveis. O jornal sugere que esse movimento pode estar ligado ao avanço de partidos que defendem regras mais rígidas, como o Sanseito, mas critica tentativas de “transformar o descontentamento com o custo de vida em hostilidade contra estrangeiros”.
Por outro lado, o Yomiuri pondera que apenas defender uma “sociedade multicultural” não é suficiente para lidar com os problemas decorrentes do aumento da população estrangeira. O texto aponta como falha estrutural o fato de o governo incentivar a entrada de estrangeiros, enquanto deixa para os municípios a responsabilidade de ensinar língua japonesa e costumes, sem um planejamento nacional sólido.
Ao final, o jornal defende que governo e oposição debatam o tema de forma abrangente, incluindo a definição de planos de médio e longo prazo para o número de estrangeiros a serem aceitos, buscando um equilíbrio entre regulação rigorosa e convivência social.




