Tóquio, Japão – Uma pesquisa realizada pelo jornal Nihon Keizai (Nikkei) com candidatos à eleição para a Câmara Baixa do Parlamento revelou que 37% defendem que o Japão reduza ou interrompa a aceitação de trabalhadores estrangeiros.
O resultado, divulgado pelo jornal na segunda-feira (2), mostra que a política migratória é um dos temas centrais da campanha eleitoral, marcada por divergências, em meio ao avanço da queda populacional e ao agravamento da escassez de mão de obra.
De acordo com o levantamento, a resposta mais frequente foi a de que o país deveria reduzir o ritmo atual de aceitação, posição adotada por 36% dos candidatos. Outros 1% afirmaram que o Japão não deveria aceitar trabalhadores estrangeiros, totalizando 37% de opiniões contrárias ou cautelosas.
Em contrapartida, 30% defenderam a manutenção do ritmo atual, enquanto apenas 6% se mostraram favoráveis a uma aceitação mais ativa, totalizando 36% de opiniões favoráveis aos estrangeiros. Já 27% disseram não ter posição definida.
Diferenças entre partidos
A divisão de opiniões varia significativamente conforme o partido. Entre os candidatos do Partido Liberal Democrata (PLD), presidido pela primeira-ministra Sanae Takaichi, 32% afirmaram que a aceitação deveria ser reduzida, enquanto 26% defenderam a continuidade no ritmo atual. Quase 40% dos candidatos do partido governista responderam que não conseguem se posicionar claramente sobre o tema.
No Partido da Inovação do Japão (Ishin no Kai), que forma coalizão com o PLD, a posição é mais rígida: cerca de 90% dos candidatos afirmaram que a aceitação de trabalhadores estrangeiros deve ser reduzida. O partido defende como proposta eleitoral o chamado “gerenciamento quantitativo”, que prevê a fixação de um limite para a proporção de estrangeiros em relação à população total do país.
O acordo de cooperação entre o PLD e o Ishin inclui o compromisso de elaborar, até o ano fiscal de 2026, uma estratégia populacional que defina metas numéricas e diretrizes básicas para a aceitação de estrangeiros.
Entre os partidos de oposição, as opiniões também se dividem. Na Aliança de Reforma Centrista, formada pelo Partido Democrático Constitucional e pelo Komeito, 17% dos candidatos defenderam uma aceitação mais ativa, enquanto 11% apoiaram a redução. Cerca de 40% optaram pela manutenção do cenário atual.
A coalizão afirma em seu programa que pretende criar um ambiente em que japoneses e estrangeiros convivam com respeito mútuo, cumprindo regras e vivendo com segurança, demonstrando cautela quanto a restrições severas.
Já entre os candidatos do Sanseito, que defende o endurecimento das regras para estrangeiros, todos afirmaram que o Japão não deveria aceitar trabalhadores estrangeiros ou que a aceitação deveria ser reduzida.
No Partido Democrático do Povo, 40% defenderam a redução e 20% a manutenção do ritmo atual.
O Partido Comunista apresentou posição majoritariamente favorável ao status quo, com mais de 70% defendendo a continuidade. No Reiwa Shinsengumi, todos os candidatos responderam que não têm posição definida.
Escassez de mão de obra e outros desafios
Segundo dados do Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar, o Japão contava com 2.571.037 trabalhadores estrangeiros em outubro de 2025, um aumento de 11,7% em relação ao ano anterior. Ao mesmo tempo, o país enfrenta um declínio acelerado de sua população: o número de nascimentos em 2025 deve ficar em torno de 660 mil, o menor já registrado, o que torna inevitável a redução da força de trabalho japonesa no longo prazo.
Diante desse cenário, a Keidanren, principal entidade empresarial do país, afirma que os estrangeiros já se tornaram parte essencial da economia japonesa e defende uma política de aceitação estratégica, que considere tanto o número quanto a qualificação dos trabalhadores.
A entidade também pede investimentos em educação em língua japonesa e no fortalecimento de sistemas de apoio e aconselhamento para estrangeiros.
A eleição para a Câmara Baixa do Parlamento será realizada em 8 de fevereiro, com 1.285 candidatos disputando as cadeiras. A pesquisa do Nikkei foi conduzida a partir de meados de janeiro e reuniu respostas de 867 candidatos até o dia 30 de janeiro.




