Tóquio, Japão — Em um debate transmitido pela TV Asahi na noite de segunda-feira (26), a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, endureceu o tom sobre a segurança regional. Segundo a líder do Partido Liberal Democrata (LDP), uma omissão japonesa em um eventual conflito no Estreito de Taiwan não seria apenas uma falha estratégica, mas o fim da cooperação militar com Washington.
“Se as forças dos EUA, que estão agindo em conjunto com o Japão, forem atacadas e nós simplesmente fugirmos sem fazer nada, a aliança Japão-EUA entrará em colapso”, declarou Takaichi, segundo o jornal Asahi.
A declaração surgiu durante uma discussão com líderes de outros partidos sobre a possibilidade de operações conjuntas para a retirada de civis (japoneses e americanos) residentes em Taiwan. Takaichi pontuou que, caso ocorra um “evento grave” na ilha, o Japão tem o dever de salvar seus cidadãos, e que essa missão frequentemente envolveria ações coordenadas com os militares americanos.
A premiê rebateu críticas de Tomoko Tamura, líder do Partido Comunista Japonês, que acusou o governo de levar o país a uma guerra com a China mesmo sem um ataque direto ao território nipônico. Takaichi esclareceu que não se trata de o Japão “sair para iniciar ações militares” em um conflito entre China e EUA, mas sim de responder a agressões sofridas por aliados durante missões compartilhadas.
As falas de Takaichi não ocorrem no vácuo. Em novembro passado, ela afirmou que o uso de força militar contra Taiwan poderia ser classificado como uma “situação de ameaça à sobrevivência nacional”.
Sob este status legal, o Japão pode exercer o direito de autodefesa coletiva, permitindo que as forças militares ajudem aliados sob ataque, mesmo que o Japão não seja o alvo inicial.
A premiê ressaltou que qualquer resposta seria feita “estritamente dentro dos limites da lei” e baseada em um julgamento abrangente da situação no momento.
Reação de Pequim
A resposta da China foi imediata e severa. Em coletiva de imprensa na terça-feira (27), o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês classificou as palavras de Takaichi como contraditórias e provocativas.
“Afirmar que agirá dentro da lei enquanto interfere grosseiramente nos assuntos internos da China e faz ameaças militares é uma contradição total”, afirmou o porta-voz, reiterando a posição de Pequim de que o Japão “não tem o direito de interferir” na questão de Taiwan.
A relação entre China e Taiwan passa por tensões históricas e políticas. Após a guerra civil chinesa (1945–1949), o governo derrotado se refugiou em Taiwan, enquanto o Partido Comunista assumiu o poder no continente.
Desde então, Pequim considera Taiwan uma província rebelde e defende a reunificação sob o princípio de “uma só China”.
Já Taiwan atua com governo, moeda e forças armadas próprias, funcionando na prática como um país independente. A China tem aumentado a pressão militar e diplomática sobre a ilha, o que preocupa países da região e aliados como o Japão e os Estados Unidos.




