Hiroshima, Japão – Uma Assembleia da Prefeitura de Hiroshima emitiu na última segunda-feira (22), uma declaração pedindo ao governo japonês que adira aos princípios antinucleares e trabalhe por um mundo livre de armas nucleares.
De acordo com informações de Kyodo News, a declaração citou preocupações locais sobre a revisão dos chamados três princípios que proíbem a posse, produção ou permissão para a introdução de armas nucleares, enquanto o Partido Liberal Democrático, no poder, busca atualizar os principais documentos de segurança nacional até o próximo ano.
Diz a declaração: “É nosso dever, como o único país que sofreu bombardeios atômicos, continuar a lutar pela concretização de um mundo sem armas nucleares. O desastre causado em Hiroshima e Nagasaki há 80 anos jamais deve se repetir”.
O chefe da assembleia da prefeitura de Hiroshima, Takashi Nakamoto, desaprova o rumor. “(Uma revisão) é ultrajante e, se for verdade, nos opomos veementemente e devemos impedi-la”, afirmou.
Declaração de funcionário do governo gerou revolta
Uma declaração feita por um funcionário do gabinete japonês, responsável por assessorar o governo em temas de segurança, gerou forte repercussão política e diplomática. O assessor afirmou que “o Japão deveria ter armas nucleares”, o que provocou reações negativas, inclusive de sobreviventes das bombas atômicas.
Em um comunicado separado, a Confederação das Organizações de Vítimas da Bomba Atômica da Prefeitura de Hiroshima classificou as declarações do oficial como “absolutamente indesculpáveis”, por contrariarem os três princípios antinucleares e negarem o papel do Japão como ponte entre os Estados nucleares e não nucleares no âmbito do Tratado de Não Proliferação Nuclear.
“A única coisa que podemos fazer para evitar o perigo das armas nucleares, que são fabricadas apenas com o objetivo de extinção, é aboli-las”, afirmou a confederação em um comunicado.
Instabilidade no consenso quanto ao assunto
O Japão mantém uma Constituição pacifista desde o fim da Segunda Guerra Mundial, mas, segundo alguns críticos, sua dependência da dissuasão nuclear dos EUA para proteção contradiz os princípios antinucleares.
A primeira-ministra Sanae Takaichi está pressionando por uma mudança na política de defesa em meio ao ambiente de segurança cada vez mais rigoroso, podendo revisar a noção de “não permitir a introdução” de armas nucleares.
Itsunori Onodera, chefe do conselho de pesquisa de segurança do Partido Liberal Democrático (PLD), afirmou em um programa de TV no último domingo (20) que o Japão precisa debater o futuro de seus princípios não nucleares, acrescentando que a dependência do Japão em relação à proteção nuclear dos EUA é uma das questões a serem discutidas.




