Tóquio, Japão – A primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, comentou sobre suas declarações a respeito de Taiwan durante sessão parlamentar na última terça-feira (16), mas não se retratou. As informações são do jornal The Mainichi.
No começo de novembro, Takaichi foi questionada sobre como o Japão responderia caso a China impusesse um bloqueio marítimo a Taiwan. “Se isso envolver o uso de navios de guerra e o exercício da força, constituiria, sem dúvida, uma situação de ameaça à sobrevivência (do Japão)”, afirmou.
A declaração causou uma tensão diplomática com o governo chinês, que exige, desde então, uma retratação pública da primeira-ministra.
Em relação a essas declarações, foi revelado que o material preparado pela Secretaria do Gabinete para suas respostas parlamentares não incluía as seções relevantes e afirmava explicitamente que o governo não responderia a perguntas sobre uma eventualidade envolvendo Taiwan.
Durante sessão da Comissão de Orçamento da Câmara dos Conselheiros na última terça-feira (16), Hajime Hirota, membro do Partido Democrático Constitucional do Japão (PDC), da oposição, referiu-se a este documento e pressionou a primeira-ministra, perguntando: “Por que a senhora se absteve de responder?”.
Takaichi enfatizou que suas observações foram resultado de uma troca de ideias com o membro do CDP, Katsuya Okada, sobre vários cenários. Ela revelou que não houve uma “reunião preparatória para a resposta (da Dieta)” e acrescentou: “Reconheço que minha resposta foi entendida como indo além da posição estabelecida pelo governo, e levarei isso em consideração ao me aproximar de futuros debates na Dieta”. Hirota criticou a resposta, afirmando: “A responsabilidade não deve recair sobre as pessoas que ouvem as declarações”.
A primeira-ministra também afirmou que, em relação a “um país estrangeiro que tenha uma relação próxima com o Japão” estar sob ataque, o que é um requisito para declarar uma situação de risco de vida que permita ao Japão exercer a autodefesa coletiva, “a possibilidade de países que não os Estados Unidos se qualificarem é bastante limitada na realidade”.
Sobre se Taiwan se enquadraria nessa categoria, ela afirmou apenas que “não está predeterminado e será avaliado com base em situações individuais e específicas”.
Uma situação que ameace a sobrevivência é definida como aquela em que “ocorre um ataque armado contra um país estrangeiro que mantém uma relação próxima com o Japão” e que “ameaça a sobrevivência do Japão e representa um claro perigo de subverter fundamentalmente o direito das pessoas à vida, à liberdade e à busca da felicidade”. Isso permite que as Forças de Autodefesa usem a força com base no direito à autodefesa coletiva.
Relação com a China
Em reportagem de Jiji Press, Takaichi falou sobre a relação com a China na última quarta-feira (17), após encerramento da sessão extraordinária. “Queremos continuar o diálogo franco e promover de forma abrangente uma relação mutuamente benéfica (com a China) com base em interesses estratégicos comuns”, enfatizou.
“A comunicação é importante, especialmente quando há questões e desafios pendentes”, disse a primeira-ministra. “O Japão está aberto a manter vários diálogos com a China, inclusive entre os líderes”.




