Tóquio, Japão – O ministro da Defesa do Japão, Shinjiro Koizumi, em coletiva de imprensa na última quarta-feira (10), reconheceu que a China notificou o Japão sobre o início de um treinamento militar, mas não forneceu “informações suficientes” para evitar um potencial perigo. As informações são de Jiji Press.
A declaração veio após um veículo de mídia chinês divulgar dados de áudio indicando que um navio da Marinha chinesa avisou previamente sobre o exercício aéreo em chinês e inglês, com um navio de defesa japonês respondendo em inglês que havia recebido a mensagem.
Ao mencionar a reportagem da mídia chinesa, Koizumi disse que “um destróier da Força Marítima de Autodefesa foi informado por um navio de guerra chinês de que (o lado chinês) iniciaria o treinamento de voo”, mas ele afirmou que o lado chinês não forneceu aos aviadores informações sobre o horário, latitude e longitude do local do treinamento, e não emitiu um aviso de navegação.
O ministro japonês explicou que, portanto, o Japão não tinha informações suficientes para evitar o perigo. Koizumi também negou que caças das Forças de Autodefesa do Japão tenham usado radar contra aeronaves operando a partir do porta-aviões chinês Liaoning.
Ele acrescentou que o Japão tomará todas as medidas possíveis para monitorar as águas e o espaço aéreo circundantes e trabalhará para garantir a comunicação entre as autoridades de defesa.
Como foi o incidente
No dia 6 de dezembro, um caça F-15 da Força Aérea de Autodefesa do Japão foi alvo de um radar de controle de tiro de uma aeronave militar da China sobre águas internacionais ao sudeste da ilha principal de Okinawa.
Os sistemas de radar de caças são projetados para vasculhar as áreas circundantes e coletar dados como a distância e a velocidade de um alvo para o sistema de controle de tiro da aeronave. Travar o radar pode ser considerado um ato hostil, pois indica preparativos para disparar armas.
Na última terça-feira (9), o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Guo Jiakun, afirmou que ativar o radar de busca durante o treinamento de voo é “prática comum” para aeronaves baseadas em porta-aviões de todos os países, acrescentando que também é uma “medida normal para garantir a segurança de voo”.
O Japão protestou contra a ação das aeronaves chinesas, mas Pequim alegou que o “reconhecimento aéreo aproximado frequente e as interrupções” por parte dos jatos japoneses causaram risco à segurança. O governo japonês afirmou que seus jatos mantiveram uma “distância segura” das aeronaves militares chinesas.
O Ministério da Defesa do Japão informou que aeronaves chinesas a bordo do porta-aviões Liaoning realizaram cerca de 140 pousos e decolagens de treinamento no Pacífico entre os dias 6 e 8 de dezembro.
Entenda o conflito diplomático entre China e Japão
Japão e China vivem uma crise diplomática após declarações da primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, no começo de novembro, de que um ataque chinês a Taiwan que ameaçasse a sobrevivência do Japão poderia desencadear uma resposta militar.
A declaração provocou forte reação em Pequim, que reivindica Taiwan como uma província separatista a ser reunificada com o continente, pela força se necessário, e vê a questão de Taiwan como um assunto “interno”. O governo chinês exigiu uma retratação por parte de Takaichi, o que ainda não aconteceu.




