Tóquio, Japão – O governo do Japão apresentou um protesto formal à China após uma publicação polêmica feita por Xue Jian, cônsul-geral chinês em Osaka, em sua conta na rede X (antigo Twitter), informou o jornal Yomiuri.
Xue compartilhou um artigo que relatava declarações da primeira-ministra Sanae Takaichi. Ela havia dito no Parlamento que uma crise envolvendo Taiwan e o uso de força militar poderia resultar em uma “situação de ameaça à sobrevivência nacional” para o Japão.
O diplomata escreveu na postagem: “Essa cabeça suja deve ser cortada sem hesitação. Você está preparada para isso?”
A mensagem, publicada no sábado (8), causou forte reação em Tóquio. No dia seguinte, o diretor do Departamento de Ásia e Oceania do Ministério das Relações Exteriores do Japão, Masaaki Kanai, apresentou protesto oficial à embaixada chinesa. Ele exigiu a remoção imediata da postagem — que posteriormente foi apagada.
Publicação “extremamente inadequada”
Durante coletiva na segunda-feira (10), o chefe do Gabinete, Seiji Kihara, classificou a publicação como “extremamente inadequada para um representante diplomático”. Ele afirmou que o Japão continuará cobrando uma explicação clara do governo chinês.
Essa não é a primeira vez que Xue Jian se envolve em controvérsia. Durante as eleições gerais do Japão em 2024, ele fez uma postagem interpretada como incentivo ao voto em um partido específico. Isso também levou o Ministério das Relações Exteriores japonês a apresentar uma reclamação formal.
Na segunda-feira, o embaixador da China no Japão, Wu Jianghao, também usou o X para se manifestar. Ele escreveu que “Taiwan é uma parte inalienável da China”. Também alertou que estimular a ideia de que “um conflito em Taiwan seria também um conflito para o Japão” seria um “erro sem volta”.
Pequim expressa “oposição firme”
Já o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China declarou que Pequim expressou “forte insatisfação e oposição firme” às declarações da primeira-ministra japonesa, classificando-as como uma provocação ao sistema internacional e uma ameaça às relações sino-japonesas. Ele ainda defendeu o cônsul, alegando que sua fala mirava “retóricas perigosas que tentam separar Taiwan do território chinês”.
Por outro lado, o embaixador dos Estados Unidos no Japão, Rahm Emanuel, criticou publicamente a atitude do cônsul chinês. Ele afirmou que Pequim fala em ser um ‘bom vizinho’, mas suas ações mostram o contrário.
A polêmica começou após Takaichi afirmar, na sexta-feira (7), que um bloqueio marítimo ou uso de força militar por parte da China contra Taiwan poderia resultar em uma “situação de ameaça à sobrevivência nacional”. Esse termo, previsto na legislação, indica uma ameaça direta à segurança do Japão. Ele permite a atuação das Forças de Autodefesa do Japão em apoio a Taiwan e aos Estados Unidos.
Pela primeira vez, um primeiro-ministro japonês em exercício reconheceu publicamente que um conflito em Taiwan poderia se enquadrar nessa categoria, aumentando a tensão diplomática entre Tóquio e Pequim.




