Tóquio, Japão – O ex-ministro das Relações Exteriores do Japão, Taro Kono, comentou neste domingo (2), durante o programa Sunday Japon da emissora TBS, sobre o acordo entre seis partidos políticos que prevê a eliminação da taxa extra sobre a gasolina — equivalente a cerca de 25 ienes por litro — a partir de 31 de dezembro.
Kono deixou claro sua posição em relação à medida. “Eu sou contra essa abolição desde o governo de Ishiba”, afirmou.
Ele alertou que a decisão passa uma mensagem equivocada sobre o uso de combustíveis fósseis em meio à crise climática.
“Neste verão, o Japão chegou a 42 graus. Num momento em que o aquecimento global está avançando, dizer que está tudo bem usar combustíveis fósseis normalmente é muito problemático”, disse.
Apoio às pessoas realmente em dificuldade
Kono argumentou que o apoio deve abranger apenas pessoas realmente em dificuldade, e não a todos indistintamente.
“Devemos ajudar quem realmente precisa de gasolina ou eletricidade, mas não há necessidade de baratear o combustível usado em Ferraris ou Porsches. Sempre defendi isso, mas como os seis partidos chegaram a um acordo, a medida será implementada”, afirmou.
O ex-ministro também destacou que o Japão precisa agir com seriedade nas políticas de combate ao aquecimento global.
“Precisamos oferecer subsídios para quem trocar de carro por um modelo mais econômico ou elétrico. Assim, o consumo de gasolina diminuirá naturalmente, e o impacto do preço mais alto será menor”, explicou.
Além disso, Kono chamou atenção para os efeitos da desvalorização do iene, que mantém os preços altos mesmo com a queda do valor do petróleo no mercado internacional.
“O problema é o enfraquecimento do iene. Se o governo realmente quer combater o alto custo de vida, o Banco do Japão precisa aumentar os juros, e o governo deve buscar equilíbrio fiscal. Caso contrário, gastar dinheiro de forma isolada pode agravar a inflação”, alertou.




