Tóquio, Japão – O Partido Liberal Democrata (PLD) e o Partido da Inovação do Japão (Nippon Ishin no Kai) deram início a negociações políticas que podem abrir caminho para a formação de um governo de coalizão.
A aliança se torna importante para o partido governista, que precisa do apoio de outros grupos para eleger o próximo primeiro-ministro.
As discussões incluíram temas como a criação de uma “capital secundária” em Osaka, reformas na seguridade social e financiamento político, informou a emissora NHK.
As conversas ocorreram na tarde desta quinta-feira (16), na sede parlamentar do Nippon Ishin, com duração de cerca de 1 hora e 15 minutos.
Troca de opiniões
Participaram, pelo PLD, a presidente Sanae Takaichi, o secretário-geral Koichi Suzuki e o chefe do comitê de políticas Takashi Kobayashi.
Representando o Nippon Ishin, estiveram presentes o co-líder Fumitake Fujita, o secretário-geral Nakatsukasa Hiroshi e o presidente do comitê de políticas Saito Yoshiyuki.
Durante o encontro, os dois partidos trocaram opiniões sobre políticas fundamentais, como relações exteriores, segurança nacional, energia e revisão constitucional.
Também discutiram propostas centrais do Nippon Ishin, incluindo a criação da “capital secundária” em Osaka. Além disso, reformas no sistema de seguridade social — com foco na redução das contribuições da população ativa — e o tratamento das doações corporativas e partidárias.
Proporção de estrangeiros na população japonesa
No mês passado, o Nippon Ishin apresentou uma proposta voltada à política de imigração no país.
Entre os pontos centrais está a criação de uma “regulação de volume total”. Ela estabeleceria um teto para a proporção de estrangeiros na população japonesa, restringindo assim o número de pessoas aceitas no país.
A proposta também defende a rigidez nos critérios para a concessão da cidadania e a criação de um mecanismo que permita cancelar a naturalização em determinados casos.
“Capital secundária e reforma social são condições essenciais”, diz líder do Ishin
Antes da reunião, o líder do Nippon Ishin, Hirofumi Yoshimura, afirmou em entrevista na sede do governo de Osaka que as duas condições fundamentais para uma possível coalizão são a implementação do projeto da capital secundária e a reforma do sistema de seguridade social.
“Se chegarmos a um acordo, apoiaremos Takaichi na votação para primeiro-ministro e decidiremos, ao mesmo tempo, sobre a entrada formal em um governo de coalizão”, declarou Yoshimura.
Questionado se seria possível uma aliança mesmo sem consenso sobre o tema do financiamento político, ele respondeu: “As negociações cobrem muitos pontos além do dinheiro e da política. Vamos avaliar o quadro geral antes de decidir.”
Yoshimura também reconheceu que há riscos para o partido. “O Ishin pode perder sua identidade ao se unir ao PLD. Mas, se quisermos promover reformas estruturais reais no Japão, precisamos aceitar esse risco e seguir em frente.”
Coalizão deixaria Takaichi a dois votos da maioria no Parlamento
Atualmente, na Câmara Baixa, o PLD possui 196 cadeiras, enquanto o Nippon Ishin tem 35, totalizando 231 assentos — apenas dois a menos que a maioria absoluta (233).
Se houver acordo, Sanae Takaichi teria grande vantagem para ser eleita primeira-ministra.
Já na Câmara Alta, os dois partidos somam 120 cadeiras (101 do PLD e 19 do Ishin), ficando cinco abaixo da maioria. Mesmo com a coalizão, o novo governo seria minoritário nas duas casas, dependendo de alianças pontuais para aprovar projetos.
Enquanto isso, o Partido Democrata Constitucional (CDP), o Partido Democrata do Povo (DPP) e o Komeito, que também vêm discutindo colaborações políticas, somam juntos 199 cadeiras na Câmara Baixa, número insuficiente para disputar a liderança parlamentar.




