Tóquio, Japão – A disputa pelo cargo de novo primeiro-ministro do Japão ficou cada vez mais incerta após o Komeito anunciar sua saída da coalizão governista.
A decisão colocou em dúvida a sucessão do atual premiê Shigeru Ishiba e abriu caminho para uma possível mudança de governo, informou a agência Jiji Press neste domingo (12).
Oposição mira união para barrar Takaichi
Se o Partido Democrático Constitucional (CDP), o Nippon Ishin (Partido da Inovação) e Partido Democrata do Povo (DPFP) conseguirem formar uma frente única, poderão impedir a nomeação de Sanae Takaichi, líder do Partido Liberal Democrata (PLD), e provocar uma transição histórica de poder.
A votação está prevista para os dias 20 ou 21 de outubro, durante a sessão extraordinária do Parlamento. Até lá, os bastidores políticos fervem com alianças e negociações cruzadas.
Equilíbrio de forças muda com saída do Komeito
No Parlamento, o PLD e seus aliados tinham 220 assentos, contra 210 somados da oposição.
Com a retirada dos 24 parlamentares do Komeito, o partido governista caiu para 196 cadeiras, deixando o cenário incerto.
Se os três principais partidos de oposição votarem juntos no segundo turno, Takaichi pode ser derrotada.
Nomes e alianças em debate
O líder do CDP, Yoshihiko Noda, afirmou em entrevista que, se os partidos conseguirem superar diferenças, será possível “alcançar uma mudança de governo”.
Dessa vez, o CDP cogita apoiar o líder do DPFP, Yuichiro Tamaki, como candidato de consenso. Tamaki declarou estar “preparado para assumir o cargo de primeiro-ministro”, mas pediu cautela nas negociações, afirmando que não abrirá mão de temas como segurança nacional.
Já o líder do Ishin, Hirofumi Yoshimura, sinalizou que pode apoiar o movimento se CDP e DPFP realmente se unirem.
Komeito ainda é a peça-chave
Noda também tenta atrair o Komeito, destacando que o partido “segue uma linha centrista e compatível” com a oposição.
Se o Komeito se juntar à aliança, o grupo atingiria 234 assentos, superando a maioria absoluta (233) e garantindo a vitória já no primeiro turno da votação.
Entretanto, o líder do Komeito, Tetsuo Saito, descartou a hipótese de “votar de imediato em um líder da oposição”.
O PLD, por sua vez, tenta reconstruir pontes com antigos aliados.
Apesar de Tamaki ter esfriado a ideia de um novo pacto com os liberais, o partido deve continuar buscando aproximação com o DPFP e o Ishin para evitar o colapso da coalizão.
Dez dias de incertezas e negociações
Se nenhum acordo prosperar e cada legenda votar em seu próprio líder, Takaichi, como chefe do maior partido, deve conseguir se manter no cargo.
Mas até a votação, marcada para daqui a dez dias, o cenário promete intensa movimentação política.
Em entrevista à emissora TBS, o ministro da Transformação Digital, Masaaki Taira, comentou que o resultado da eleição ainda é incerto, e tanto Takaichi quanto Tamaki têm chances de vitória.




