Tóquio, Japão – O partido Sanseito divulgou um comunicado no sábado (4) após a escolha de Sanae Takaichi, ex-ministra da Segurança Econômica, como a nova presidente do Partido Liberal Democrata (PLD) e possível primeira-ministra do Japão.
Em nota, o Sanseito afirmou que “não poupará esforços para cooperar com políticas que estejam de acordo com o interesse nacional”.
O partido destacou ainda que as propostas de Takaichi são próximas das suas próprias diretrizes, e que recebe o resultado da eleição com expectativa positiva.
Segundo o jornal Mainichi, o comunicado também ressaltou que Takaichi defende uma política fiscal expansiva. Por isso, o Sanseito pediu que o novo governo priorize a recuperação econômica por meio de cortes de impostos e investimentos públicos.
Segundo o texto, essa estratégia ajudaria a proteger os interesses do Japão, além de restaurar a prosperidade e a esperança do povo.
No entanto, o líder do Sanseito, Sohei Kamiya, descartou neste domingo (5) qualquer possibilidade de integrar a coalizão governista por enquanto, segundo a agência Kyodo.
Ele também rejeitou qualquer troca de apoio por cargos. “Mesmo que ofereçam um posto de ministro, não aceitaremos, a menos que o PLD apoie nossas políticas”, declarou.
Takaichi faz parte da ala mais conservadora dentro do PLD e já havia sinalizado abertura ao diálogo com partidos de direita.
Em um programa transmitido no YouTube no dia 28 de setembro, ela afirmou que “cooperar em políticas convergentes é uma responsabilidade compartilhada no Legislativo”, mostrando-se favorável a negociações com o Sanseito e o Partido Conservador do Japão.
O Sanseito, liderado por Sohei Kamiya, é um partido de extrema direita relativamente novo. Defende pautas nacionalistas, com ênfase em temas como limitação da imigração, reformas econômicas e “japoneses em primeiro lugar”.
No pleito para a Câmara Alta em julho, o Sanseito obteve uma forte vitória. Conquistou 14 das 125 cadeiras que estavam em disputa (considerando eleições majoritárias e proporcional). Agora, soma 15 assentos.
Ampliação da coalizão governista
Takaichi afirmou que pretende ampliar a coalizão governista para garantir estabilidade política no país, informou a emissora NHK. Ela depende do apoio de outros grupos para se tornar primeira-ministra, já que o PLD não tem mais a maioria das cadeiras no Parlamento.
A líder destacou que está disposta a ouvir diferentes opiniões e buscar consensos sobre temas centrais, como revisão constitucional e política externa.
“Essas discussões são essenciais para uma política estável. Quero ouvir o quanto antes as opiniões de diferentes setores”, declarou Takaichi.
O movimento sinaliza uma abertura para o diálogo não somente com o Sanseito, mas também com o Partido da Inovação do Japão e o Partido Democrata do Povo, que analisam com cautela a possibilidade de formar uma nova aliança.
O líder do Partido da Inovação, Hirofumi Yoshimura, afirmou que aceitaria negociar caso haja um convite formal. Mas alertou que “a compatibilidade entre princípios e políticas é essencial”. Segundo ele, a decisão é complexa, já que partidos menores tendem a perder identidade ao integrar coalizões.
O presidente do Partido Democrata do Povo, Yuichiro Tamaki, também adotou um tom prudente. Ele afirmou que há “vários pontos de convergência nas políticas básicas” com o PLD, mas que qualquer decisão dependerá da linha de ação da nova líder.
O partido pretende inicialmente pressionar pela extinção da taxa adicional sobre combustíveis e pelo aumento do teto de renda para benefícios sociais — medidas já acordadas com o governo anterior.
Outros partidos conservadores também reagiram. O chefe do Partido Conservador do Japão, Hyakuta Naoki, declarou que apoiará o governo “se Takaichi avançar na criação de uma lei de prevenção à espionagem”.
Na oposição, as reações foram mais críticas. O presidente do Partido Democrata Constitucional (CDP), Yoshihiko Noda, disse que não espera um convite para integrar o governo, mas defendeu a continuidade do diálogo sobre medidas de apoio fiscal, como o crédito tributário reembolsável.
O líder do Reiwa Shinsengumi, Taro Yamamoto, voltou a cobrar redução imediata do imposto sobre consumo, isenção de taxas de seguro social e pagamentos emergenciais à população.
Já o Partido Comunista Japonês, por meio de sua presidente Tomoko Tamura, também se posicionou, mas foi mais duro. “Os parlamentares envolvidos em escândalos de dinheiro voltarão ao poder. A única forma de superar o impasse é encerrar o domínio do PLD”, afirmou.




