Tóquio, Japão – Shigeru Ishiba, que já ocupou cargos como ministro da Defesa, tornou-se o novo presidente do Partido Liberal Democrata (PLD), aos 67 anos, e deve ser nomeado primeiro-ministro do Japão na próxima terça-feira (1), ocupando o cargo do atual líder Fumio Kishida.
Ishiba tem trabalhado em questões de segurança nacional ao longo de sua carreira e destacou esses temas durante a campanha que resultou em sua eleição na sexta-feira (27), vencendo outros oito candidatos dentro do partido.
No entanto, a realização de suas propostas, como a criação de uma “versão asiática da Otan” e a revisão do acordo militar entre Japão e EUA, enfrenta grandes desafios, segundo o jornal Asahi.
Em sua primeira entrevista como novo presidente do PLD, Ishiba disse que na Ásia, há muitas alianças como Japão-EUA, Coreia do Sul-EUA e Filipinas-EUA. Ele destacou a necessidade de integrar esses países militarmente e reiterou sua intenção de criar algo parecido com a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte).
Durante sua campanha, Ishiba argumentou que a Ucrânia foi invadida pela Rússia porque não fazia parte da Otan. Ele acredita que, assim como na Organização, onde um ataque a um membro é considerado um ataque a todos, a Ásia também precisa de uma estrutura de defesa coletiva.
A principal preocupação de Ishiba é a crescente atividade militar da China na região do Indo-Pacífico. Contudo, muitos países do Sudeste Asiático, que preferem evitar um confronto direto entre EUA e China, podem ser relutantes em apoiar a ideia. Além disso, as limitações constitucionais do Japão quanto ao uso da autodefesa coletiva ainda são incertas.
O governo norte-americano considera que esse tipo de segurança coletiva ainda é prematuro para a região do Indo-Pacífico, informou o jornal Mainichi. Além disso, a revisão do acordo militar entre Japão e EUA, defendida por Ishiba, não é amplamente reconhecida como necessária pelos americanos, o que sugere que será necessário iniciar um debate preliminar sobre o tema.
A mídia americana, como o Wall Street Journal e o Washington Post, destacou a possibilidade de tensões entre o futuro primeiro-ministro japonês e os EUA, especialmente devido à intenção de Ishiba de revisar a aliança Japão-EUA e criar uma Otan asiática para enfrentar as ameaças da China e da Coreia do Norte.
O embaixador dos EUA no Japão, Rahm Emanuel, expressou felicitações a Ishiba e destacou o desejo de fortalecer ainda mais as relações entre os dois países.
Embora o futuro primeiro-ministro tenha proposto novas ideias, como bases de treinamento permanentes das Forças de Autodefesa japonesas nos EUA e a gestão conjunta de bases militares em Okinawa, os EUA estão mais focados na competição estratégica com a China.
A abordagem americana a essas questões será reavaliada após a formação de um novo governo nos EUA, em janeiro, dependendo dos resultados das eleições presidenciais de novembro entre o republicano Donald Trump e a democrata Kamala Harris.
Foto: Reprodução/FNN
Shigeru Ishiba será o próximo primeiro-ministro do Japão após ser eleito o novo presidente do Partido Liberal Democrata




