A mesada é o instrumento mais eficiente de educação financeira das crianças. Ao receber uma quantia em dinheiro periodicamente, o seu filho aprende a lidar com a frustração de querer algo para o qual não tem dinheiro, a esperar e a poupar para obter a soma desejada para um determinado objetivo. Além disso, quanto mais cedo a criança começa a lidar com dinheiro, mais financeiramente estruturada será quando adulto.
Mas é importante lembrar que não basta apenas colocar o dinheiro nas mãos dos pequenos. Os pais precisam também orientar, acompanhar, avaliar o uso e prestar atenção para que a educação financeira tenha resultados.
Por exemplo, se a criança quiser um brinquedo fora de datas específicas, como aniversários, Natal ou Dia das Crianças, ela deve ser estimulada a guardar dinheiro para comprar. O importante é que a criança entenda que é preciso poupar para ter qualidade de vida e que não é possível ter tudo na hora em que se quer.
Mas qual é a idade certa para começar a introduzir a mesada? Não existe um consenso entre os especialistas, mas a maioria concorda que a partir da alfabetização ou quando as crianças começam a aprender números.
Não existe uma regra adequada que define o valor da mesada, já que a situação financeira, a renda familiar e os hábitos diferem de uma família para outra. Uma boa dica dos educadores é observar os hábitos e necessidades da criança durante dois a três meses antes de iniciar o pagamento da mesada.
O uso da mesada e as mudanças de hábitos da infância e da adolescência também devem ser acompanhados de perto pelos pais. Avalie sempre também se o valor está adequado conforme a faixa etária.
De acordo com especialistas em educação financeira, na infância, a mesada não deve contemplar roupas, sapatos e muito menos atividades extras. Na adolescência, é diferente. Se ele quer comprar roupas de grife, o adolescente pode usar o dinheiro da mesada.
Além disso, a mesada não deve ser trocada pelas obrigações sociais dos filhos, como tirar notas boas na escola ou arrumar o quarto ou guardar os próprios brinquedos. As crianças precisam entender que possui deveres e isso não deve ser estimulado pelo dinheiro para que não se incentive a criação de uma personalidade mercenária.
Dicas aos pais
– Escolha dias fixos para pagamento de mesada ou semanada. Para pagamentos semanais, o domingo é o dia geralmente escolhido. No caso de pagamentos mensais, o bom seria coincidir com a data da principal fonte de renda do pai ou da mãe.
– Evitem atrasar ou adiantar a mesada. É importante as crianças se acostumarem com conceitos de regularidade, adimplência e responsabilidade. Se houver atraso no pagamento, pode caber uma multa simbólica. Se as crianças insistirem em pedir adiantamentos, cabe negociar algum desconto.
– O acompanhamento e os controles podem ser mais flexíveis para crianças que demonstrem mais responsabilidade e mais estreitos para aquelas que apresentem sinais de que não vêm fazendo uso adequado.
– Regras claras evitam problemas. Estabeleça regras e limites de maneira clara. Faça acordos do que pode ou não pode ser feito com o dinheiro da mesada.
– Procure contemplar na mesada um valor destinado à poupança. É importante que as crianças criem esse hábito desde pequenas. Quando cabível, forneçam também cofrinho, conta para poupança, etc.
Fonte: Guia de Boas Práticas em Finanças Pessoais – Educação Financeira Infantil do Sebrae Previdência
Artigo publicado na edição 399 da Revista Alternativa