Nova York – O número de pessoas forçadas a fugir de suas casas devido a conflitos, perseguições e abusos dos direitos humanos dobrou na última década, chegando a 82,4 milhões no final do ano passado, informou a Organização das Nações Unidas na sexta-feira (18).
“No ano da Covid, em um ano em que a movimentação era praticamente impossível para a maioria de nós… mais 3 milhões de pessoas foram deslocadas à força”, disse o alto comissário das Nações Unidas para Refugiados, Filippo Grandi, à Reuters.
Quase 70% das pessoas afetadas são de apenas cinco países –Síria, Venezuela, Afeganistão, Sudão do Sul e Mianmar–, de acordo com o relatório anual sobre deslocamento forçado da agência da ONU para refugiados, Acnur.
“Infelizmente, as tendências continuaram. Portanto, se tivéssemos que trabalhar para atualizar os números… nos primeiros seis meses de 2021 provavelmente veríamos um novo aumento”, disse Grandi. Cerca de 42% dos deslocados eram crianças.
Ele afirmou que o aumento de pessoas deslocadas de suas casas foi parcialmente alimentado por novos pontos de crise, incluindo o norte de Moçambique, a região do Sahel na África Ocidental e o Tigré da Etiópia, junto com a intensificação de conflitos de longa duração no Afeganistão e na Somália.
A ONU também está se preparando para um provável deslocamento de civis no Afeganistão depois que as tropas norte-americanas e de outros países deixarem o local em setembro, disse Grandi no início desta semana.
Em meio a um aumento do populismo e do nacionalismo na política global, Grandi pediu aos líderes mundiais que “parem de demonizar as pessoas” que são forçadas a se mudar.
A vasta maioria das pessoas refugiadas do mundo ––quase nove em cada dez (ou 86%)– estão acolhidas em países vizinhos às crises e que são de renda baixa ou média. Os países menos desenvolvidos acolheram 27% deste total.
Pelo sétimo ano consecutivo, a Turquia abriga a maior população de refugiados no mundo (3,7 milhões de pessoas), seguida pela Colômbia (1,7 milhão, incluindo venezuelanos deslocados fora do seu país), Paquistão (1,4 milhão), Uganda (1,4 milhão) e Alemanha (1,2 milhão), segundo o relatório.
Foto: Reuters
Imigrantes venezuelanos em Arauquita, na Colômbia