Genebra, 25/fev – O Conselho dos Direitos Humanos das Nações Unidas aprovou na sexta-feira 25 resolução que recomenda a suspensão da Líbia do órgão e a imediata investigação independente sobre as denúncias de crimes contra a humanidade cometidos pelo regime líbio de Muammar Khadafi. A suspensão da Líbia foi decidida durante a 15ª sessão extraordinária do conselho, em Genebra, na Suíça.
Durante a sessão, os diplomatas que representam a Líbia no Conselho dos Direitos Humanos das Nações Unidas anunciaram suas renúncias aos cargos. Houve ainda um minuto de silêncio em homenagem às vítimas dos confrontos entre manifestantes e forças policiais no país, nos últimos dias. As informações são de diplomatas brasileiros que acompanham a sessão e da agência pública de notícias de Portugal, a Lusa.
Na reunião, vários diplomatas reagiram com críticas severas à violência e às denúncias de crime contra a humanidade na Líbia. A comunidade internacional condena a forma como o governo líbio reage às manifestações de protesto no país. A reunião foi convocada a pedido do representante da Hungria em nome da União Europeia, mas também obteve apoio do Brasil e outros integrantes do órgão.
A alta comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Navi Pillay, afirmou que é necessário cobrar responsabilidades das autoridades líbias sobre os atos de violência. Há relatos sobre a ocorrência de bombardeios em Trípoli, a capital da Líbia, e Benghazi. Segundo organizações não governamentais, o número de mortos pode ser superior a 700.
Desde o último dia 15, o governo de Khadafi é alvo de protestos diários. A maioria dos estrangeiros estavam no país decidiu deixar a região. Um grupo de brasileiros saiu de Benghazi hoje de barco. Há dificuldades para o acesso a voos e embarcações. Os passaportes são retidos pelas autoridades líbias.
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Outdoor em uma rua da capital mostra foto do presidente da Líbia, Muammar Khadafi
Agência Brasil
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Partida adiada
O mar agitado na costa da Líbia fez com que a partida dos 148 brasileiros, 48 portugueses, 20 espanhóis e um tunisiano, que estão em Benghazi, segunda maior cidade do país, fosse adiada para este sábado. Todos já estão embarcados no navio, que sairá de Benghazi em direção a Atenas, na Grécia. A viagem deve durar cerca de 17 horas. A partida do navio estava prevista para sexta-feira, mas o mau tempo impediu a viagem.
Guerra civil
O agravamento da crise na Líbia gera dois cenários possíveis: um que é o de guerra civil e outro, o da vitória da oposição impondo novas regras no país. Mas a tendência é que o processo de resistência de cada um dos lados ainda perdure algum tempo. Independentemente do que ocorrer na Líbia, a onda de protestos, que começou na Tunísia e passou por vários países, deve chegar até a China, na Ásia, podendo gerar mudanças naquela região. A conclusão é do professor do curso de relações internacionais da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) e doutorando em administração pública e governo pela Fundação Getulio Vargas (FGV), Heni Ozi Cukier.
Demissão de conselheiro
O governo do presidente da Líbia, Muammar Khadafi, sofreu mais uma baixa significativa. Kadhaf Al Dam, conselheiro e primo de Kadhafi, pediu demissão. Al Dam anunciou o desligamento “de todas as funções no seio do regime líbio para protestar contra a gestão da crise líbia”, segundo o comunicado oficial.




