Nova York – O primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, afirmou nesta sexta-feira estar confiante de que pode construir uma “relação de confiança” com o presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, após uma reunião para esclarecer a política do governo em relação à aliança Japão-EUA e à região Ásia -Pacifico.
“Não vou entrar em detalhes sobre as discussões de hoje com o presidente eleito Trump, mas acredito que sem confiança entre as duas nações uma aliança nunca funcionaria no futuro”, disse Abe, que se tornou o primeiro líder estrangeiro a realizar uma reunião com o presidente eleito dos EUA.
Abe disse a repórteres, após encontro de 90 minutos na residência de Trump, em Manhattan, que compartilhou com o novo presidente seu “pensamento básico” sobre várias questões, mas se recusou a revelar mais detalhes sobre a reunião.
“Nós concordamos em nos reunir novamente em um momento mutuamente conveniente para discussões mais aprofundadas para cobrir uma gama mais ampla de questões”, disse Abe.
Os comentários de Trump durante a campanha presidencial, incluindo a ameaça de retirar as forças militares dos EUA do Japão e de outros aliados se não pagarem mais por sua presença, despertaram preocupação em Tóquio sobre o compromisso de Washington com a região diante da ameaça de mísseis nucleares da Coreia do Norte e da crescente assertividade chinesa.
Abe espera convencer Trump de que a aliança Japão-EUA, que inclui o destacamento de cerca de 49 mil militares norte-americanos no Japão, é mutuamente benéfica em termos econômicos e de segurança e contribui para a estabilidade da região Ásia-Pacífico.
Outra questão-chave para o primeiro-ministro japonês é o livre comércio, ainda vendo uma chance de que o novo governo de Trump possa mudar sua posição sobre o acordo comercial Transpacífico (TPP) assinado por 12 países, incluindo o Japão e os Estados Unidos.
Enquanto a ratificação pelos Estados Unidos, de longe a maior das 12 economias, é necessária para trazer o pacto em vigor, Trump, que promoveu o lema “America first” e indicou inclinações protecionistas, disse em sua campanha que iria puxar os Estados Unidos para fora do acordo assim que assumisse o cargo em 20 de janeiro.
Abe disse que o TPP não é apenas importante para estimular o crescimento econômico global, mas tem um significado estratégico. Uma vez que entre em vigor, estabelecerá uma ordem regional baseada em regras na região Ásia-Pacífico e será um modelo para outros acordos de livre comércio atualmente em negociação, de acordo com o primeiro-ministro.
A reunião de Abe com Trump surgiu como parte de uma viagem de sete dias ao exterior até quarta-feira, que também levará o primeiro-ministro japonês ao Peru para participar de uma cúpula do fórum de Cooperação Econômica da Ásia-Pacífico (Apec).
À margem da Apec, Abe planeja conversar com o presidente russo, Vladimir Putin, para discutir uma cooperação econômica e uma disputa territorial de décadas que impediu os dois países de concluir um tratado de paz pós-Segunda Guerra Mundial.
Abe também fará uma visita oficial à Argentina antes de retornar a Tóquio na quarta-feira.
Foto: Reuters
Abe e Trump se cumprimentam durante encontro em Nova York




