Ucrânia – O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, fez neste sábado (11) um apelo ao ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para que atue como mediador e ajude a pôr fim à guerra entre a Ucrânia e a Rússia, nos moldes de sua recente intervenção no Oriente Médio.
A ligação entre os dois líderes ocorreu no mesmo dia em que a Rússia lançou um ataque em larga escala contra a rede de energia ucraniana, deixando regiões da capital Kiev e outras nove áreas do país sem eletricidade, de acordo com a Agência Estatal de Energia da Ucrânia.
“Tive uma ligação com o presidente dos EUA, Donald Trump. Muito positiva e produtiva”, declarou Zelensky em publicação nas redes sociais. Ele parabenizou Trump por seu “excelente plano de cessar-fogo” entre Israel e o grupo palestino Hamas, alcançado na semana passada. “Se uma guerra pode ser interrompida em uma região, certamente outras guerras também podem ser interrompidas, incluindo a guerra russa”, completou.
Zelensky solicitou que Trump pressione o Kremlin a negociar, destacando que os canais diplomáticos com Moscou estão praticamente congelados desde o início de 2023.
O pedido de Zelensky veio em um momento crítico para a Ucrânia. Ataques aéreos russos mataram pelo menos cinco pessoas no sábado, incluindo duas que estavam em uma igreja na cidade de Kostyantynivka, na região de Donetsk. A cidade de Odesa, no sul, também sofreu apagões generalizados após bombardeios à sua rede elétrica.
Do outro lado da fronteira, autoridades russas relataram que um motorista de caminhão morreu após um suposto ataque ucraniano na região de Belgorod. Autoridades regionais também disseram que drones ucranianos mataram duas pessoas em território russo.
Desde o início da invasão, em fevereiro de 2022, a Rússia tem como alvo a infraestrutura energética ucraniana em ciclos sazonais, principalmente no inverno, com o objetivo de deixar milhões sem aquecimento e água potável, prática que Kiev classifica como crime de guerra. Moscou, por sua vez, afirma que os alvos são estratégicos e usados pelo exército ucraniano.
Nos últimos meses, os esforços internacionais para avançar nas negociações de paz têm perdido força. A guerra entre Israel e Hamas, que já dura dois anos, atraiu a atenção de grande parte da comunidade internacional.
Moscou acusa Kiev e seus aliados europeus de boicotar as negociações de paz, enquanto Ucrânia e OTAN alegam que a Rússia está apenas ganhando tempo para consolidar suas forças e capturar mais território.
Desde a invasão, a Rússia controla cerca de 20% do território ucraniano, boa parte devastada por combates. Milhões de ucranianos foram deslocados, e dezenas de milhares de civis e militares morreram nos dois lados do conflito.
Contexto político: Trump e a Ucrânia
As relações entre Zelensky e Trump são historicamente conturbadas. Em fevereiro, ambos se desentenderam durante uma reunião televisionada na Casa Branca. Desde então, o ex-presidente americano adotou um tom mais crítico em relação à Rússia e passou a demonstrar simpatia pública pela causa ucraniana.
Em setembro, Trump publicou em sua rede Truth Social que a Ucrânia deveria buscar retomar todo o seu território ocupado com apoio da Europa e da OTAN.
Sua esposa, Melania Trump, afirmou recentemente ter intercedido junto a Putin para libertar crianças ucranianas levadas à força para a Rússia, segundo ela, por meio de um “canal de comunicação extraordinário”, de acordo com informações do Japan Today.




