Caracas, Venezuela – Nicolás Maduro venceu a conturbada eleição presidencial realizada no domingo (28) com 51% dos votos, segundo o Conselho Nacional Eleitoral (CNE), após a apuração de 80% das urnas, publicou a Reuters.
O resultado contraria as várias pesquisas de boca de urna, que davam vitória para o líder da oposição, Edmundo Gonzales, que ganhou 44% dos votos.
“Os resultados não podem ser escondidos. O país escolheu pacificamente uma mudança”, disse Gonzalez em um post no X por volta das 23h, horário local, antes dos resultados serem anunciados.
Da mesma forma, a líder oposicionista, Maria Corina Machado, apelou para os militares do país manterem os resultados da votação.
A oposição se uniu em uma coalizão contra Maduro após se marginalizar da eleição de 2018 por considerá-la fraudulenta. No entanto, denunciou irregularidades ao longo do processo e a prisão de cerca de 150 pessoas ligadas à campanha, 37 destas nos últimos dois dias.
Antes do pleito, Maduro colocou esta eleição como uma encruzilhada entre “paz ou guerra” e advertiu que uma vitória da oposição poderia levar a um “banho de sangue”, o que lhe valeu críticas.
Manifestações
Os Estados Unidos, que impulsionaram a eleição com um alívio das sanções que impuseram em 2019 após não reconhecerem a reeleição de Maduro no ano anterior, fizeram um chamado para respeitar o “processo democrático”.
“Os Estados Unidos estão com o povo da Venezuela, que expressou sua voz nas históricas eleições presidenciais de hoje. A vontade do povo venezuelano deve ser respeitada”, afirmou a vice-presidente americana, Kamala Harris, na rede social X. Continuaremos trabalhando para alcançar um futuro mais democrático, próspero e seguro para o povo da Venezuela”, acrescentou Harris, candidata presidencial democrata.
Já o presidente Javier Milei, publicou em rede social que a Argentina não vai reconhecer “outra fraude” nas eleições venezuelanas e que espera que as Forças Armadas “defendam a democracia e a vontade popular” desta vez.
“Os venezuelanos escolheram acabar com a ditadura comunista de Nicolás Maduro. Os dados anunciam uma vitória gigante da oposição e o mundo aguarda que reconheça a derrota depois de anos de socialismo, miséria decadência e morte.”
O ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Yvan Gil, respondeu a Milei, chamando-o de nazista e que “povo argentino vai cobrar de você mais cedo ou mais tarde. Nossa vitória esmagadora é um sinal inequívoco de que nosso povo derrotará o fascismo que você promove”, escreveu Gil.
No Chile, o presidente Gabriel Boric disse que é “difícil de acreditar” na vitória de Nicolás Maduro.
“O regime de Maduro deve entender que os resultados publicados são difíceis de acreditar. A comunidade internacional e sobre tudo o povo venezuelano, incluindo os milhões de venezuelanos no exílio, exigem total transparência das ações e do processo, e os auditores internacionais não se comprometem com o governo na conta da veracidade dos resultados. Desde o Chile, não reconheceremos nenhum resultado que não seja verificável”, escreveu Boric.
Pelo Brasil, o assessor especial da presidência, Celso Amorim, afirmou que houve participação expressiva dos eleitores e que espera que “todos os candidatos” respeitem o resultado do pleito.
“Estou acompanhando de perto o processo eleitoral venezuelano. Ainda há mesas de votação abertas. É motivo de satisfação que a jornada tenha transcorrido com tranquilidade, sem incidentes de monta. Houve participação expressiva do eleitorado”, disse Amorim, em nota.
Foto: Reprodução
Trump confunde países e diz que “República Islâmica do Japão” disparou mísseis contra os EUA
Ancara, Turquia - Uma declaração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante compromissos ligados à OTAN em Ancara, na...
VER MAISDetails




