Atualizado em: 26/02/2025 13:56
Paris, França – Condições que afetam o sistema nervoso, como como acidente vascular cerebral, enxaqueca e demência – ultrapassaram as doenças cardíacas e tornaram-se a principal causa de problemas de saúde em todo o mundo, segundo estudo do Instituto de Métricas e Avaliação de Saúde (IHME), com sede nos Estados Unidos, publicou a France Presse.
O estudo aponta que mais de 3,4 mil milhões de pessoas – ou 43% da população mundial – sofreram de alguma doença neurológica em 2021, muito mais do que se pensava anteriormente.
A estatística foi levantada por centenas de pesquisadores liderados pelo IHME, que se tornou uma referência global em estatísticas de saúde.
As condições do sistema nervoso são agora “a principal causa mundial de carga geral de doenças”, disse Jaimie Steinmetz, a principal autora do estudo feito pelo IHME.
Os registros destas condições cresceram 59% nas últimas três décadas, segundo Steinmetz, creditando o aumento ao fato de a população mundial envelhecer e crescer rapidamente.
Os cientistas analisaram como 37 condições neurológicas diferentes resultaram em problemas de saúde, incapacidades e mortes prematuras em 204 países e territórios, de 1990 a 2021.
Os dados ajudaram a basear quantos anos de vida saudável foram perdidos para cada condição, chamados anos de vida ajustados por incapacidade (DALYs, na sigla em inglês).
Nos cálculos feitos pelos pesquisadores, mais de 443 milhões de anos de vida saudável foram perdidos devido aos distúrbios do sistema nervoso em todo o mundo em 2021, um aumento de 18% em relação a 1990.
Para os pesquisadores, porém, se a idade e o tamanho crescente da população fossem ajustados, os DALYs e as mortes causadas por estas condições cairiam cerca de um terço.
Entre as condições mais graves, o acidente vascular cerebral foi a principal, responsável por 160 milhões de anos de vida saudável perdidos.
Em seguida, foram listadas a encefalopatia neonatal, enxaqueca, demência, incluindo doença de Alzheimer, danos nos nervos causados por diabetes, meningite e epilepsia.
O comprometimento cognitivo do COVID-19 ficou em 20º lugar.
Só em 2021, mais de 11 milhões de pessoas morreram de 37 doenças neurológicas, conforme pesquisa publicada na The Lancet Neurology.
No entanto, as doenças cardiovasculares continuaram a ser a principal causa de morte, matando 19,8 milhões de pessoas em todo o mundo em 2022, afirmou o IHME no ano passado.
Os distúrbios neurológicos mais comuns foram dores de cabeça tensionais e enxaquecas.
Já a condição de crescimento mais rápido foi a lesão nervosa chamada neuropatia diabética, causada pelo aumento dos casos de diabetes.
O problema é que a maioria dessas condições não tem cura. Mas há meios de diminuir o risco, com a redução das taxas de hipertensão, diabetes e consumo de álcool, segundo os pesquisadores.
O grupo de cientistas apelou para que se faça mais para prevenir, tratar e reabilitar as vítimas de doenças que afetam desproporcionalmente os países mais pobres.
“A carga neurológica mundial está crescendo muito rapidamente e colocará ainda mais pressão sobre os sistemas de saúde nas próximas décadas”, alertou Valery Feigin, coautor do estudo.
O estudo avaliou também pela primeira vez o impacto dos distúrbios neurológicos em crianças, que representaram quase um quinto de todos os DALYs, o que significa que as crianças em todo o mundo perderam 80 milhões de anos de vida saudável devido a estas condições só em 2019.
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