Tóquio – O Tribunal Superior de Tóquio revogou nesta quinta-feira (5) a sentença de pena de morte do peruano Vayron Jonathan Nakada Ludeña, 34 anos, que tinha sido condenado em primeira instância por matar seis pessoas em Kumagaya (Saitama) em 2015, informou a emissora NHK.
No julgamento em segunda instância, o tribunal decidiu retirar a pena de morte e condenar o peruano à prisão por tempo indeterminado (equivalente à prisão perpétua). O motivo da decisão está sendo pronunciado na audiência que começou às 15h e ainda não terminou em Tóquio.
A prisão por tempo indeterminado (mukichoueki / 無期懲役), que não estipula o período de detenção, é a condenação mais severa antes da pena de morte. No Japão, não existe a chamada prisão perpétua (shuushinkei / 終身刑).
O julgamento em primeira instância, que tramitou na Justiça por mais de dois anos e terminou em 2018, teve uma disputa entre o advogado de defesa e a Promotoria sobre o estado mental do peruano e se ele teria condições psicológicas de ser responsabilizado pelos crimes. O advogado alegou que ele não poderia ser condenado por causa de sua saúde mental.
Um psiquiatra que examinou Nakada disse que ele sofria de esquizofrenia na época em que os crimes ocorreram. “É preciso analisar com cuidado até que ponto o réu tinha consciência dos seus atos. O fato de ele ter escondido alguns dos corpos dentro de um armário pode indicar que ele sabia da gravidade do que estava fazendo”, ponderou o psiquiatra no julgamento em primeira instância.
Uma pessoa esquizofrênica pode não ter capacidade de distinguir o que é real ou não porque sofre constantes alucinações auditivas, delírios e perturbações mentais.
COMO FORAM OS CRIMES
De acordo com as investigações, o primeiro crime ocorreu no dia 14 de setembro de 2015, quando o casal Minoru, 55, e Misae Tasaki, 53, foi encontrado esfaqueado dentro da própria casa em Kumagaya (Saitama).
Dois dias depois, uma idosa de 84 anos, Kazuyo Shiraishi, também foi achada morta em sua casa.
Ao mesmo tempo, a polícia encontrou o peruano portando uma faca em outra residência, onde mais três pessoas morreram esfaqueadas: Miwako Kato, 41 anos, e as filhas Misaki, 10, e Haruka, 7.
Antes de pular do segunda andar da casa, Nakada cortou os próprios braços com a faca que segurava, em um gesto que foi interpretado pela polícia como tentativa de suicídio.
Foto: Reprodução/FNN
Vayron Jonathan Nakada Ludeña