Tóquio – O Japão está retomando os esforços para dispersar o acúmulo de água contaminada na usina nuclear de Fukushima, que está paralisando o processo de limpeza do local, informou o governo na última quinta-feira.
Um painel de especialistas se reuniu na sexta-feira pela primeira vez em oito meses para considerar opções para se livrar da água.
O painel considerou estratégias como a evaporação da água e a injeção no subsolo, além de uma recomendação do regulador nuclear do Japão para liberar a água tratada no oceano, uma técnica mais convencional.
Reuniões regulares do comitê pararam quase três meses depois que a Tokyo Electric Power (Tepco) admitiu que não conseguiu remover completamente partículas radioativas potencialmente perigosas da água tratada em tanques.
A admissão foi um revés para a empresa e o governo, já que a água dificultou a limpeza do local onde três reatores derreteram após um terremoto e um tsunami em 2011, o pior desastre nuclear do mundo desde Chernobyl em 1986.
Em 2016, o governo japonês estimou que o custo total de desmantelamento da usina, descontaminação de áreas afetadas e indenizações seria de 21,5 trilhões de ienes, ou cerca de um quinto do orçamento anual do país.
Há seis anos, Tóquio venceu a licitação para sediar os Jogos Olímpicos de 2020, com o primeiro-ministro Shinzo Abe declarando que Fukushima estava “sob controle” em seu discurso final ao Comitê Olímpico Internacional.
Em instalações nucleares em todo o mundo, a água contaminada é tratada para remover todas as partículas radioativas, exceto o trítio, um isótopo relativamente inofensivo de hidrogênio que é difícil separar da água e por isso é liberado no meio ambiente.
Mas por causa de erros, como a admissão do ano passado de que não havia removido tudo, a Tepco enfrenta dificuldades para conquistar a confiança de pescadores que se opõem à liberação da água no oceano.
Alguns países, incluindo a Coreia do Sul, ainda têm restrições sobre alimentos produzidos em áreas ao redor de Fukushima.
A Tepco concluiu a substituição de tanques mais antigos que sofreram vazamentos com outros mais fortes, disse o governo.
Espera-se que a usina fique sem espaço para mais tanques até meados de 2022, acrescentou o governo, aumentando a urgência de resolver o problema.
Foto: Reuters
Tanques de água contaminada na usina nuclear de Fukushima