Tóquio – A editora Daisan Shokan, localizada no distrito de Shinjuku, em Tóquio, publicou nesta terça-feira um livro que reúne sátiras polêmicas sobre o islamismo, cristianismo e outras religiões, informou a agência de notícias Jiji Press.
Intitulada de “Isuramu: hate ka fushi ka” (Islã: ódio ou sátira?), a obra contém principalmente charges produzidas pelo semanário francês Charlie Hebdo, alvo do ataque terrorista que chocou o mundo no último mês. No entanto, a editora tapou o rosto do profeta Maomé nas ilustrações, em consideração aos grupos religiosos.
Com 64 páginas, o livreto foi publicado no tamanho A5 e 3 mil exemplares foram impressos. Pelo preço de ¥550, a empresa pretende iniciar a venda em 500 livrarias pelo país.
De acordo com o presidente da editora, Akira Kitakawa, é possível que a venda seja suspensa em alguns locais devido a protestos contra a publicação. “Cada livraria tem o direito de julgar se quer ou não disponibilizar a obra ao público”, explicou.
Antes mesmo de ser lançado, a distribuição do livro já foi criticada pela Associação Islâmica Ahmadiyya, localizada na cidade de Tsushima (Chiba), que declarou ser contra publicações que ofendam estruturas religiosas.
A Associação de Paquistaneses do Japão também se manifestou contra o livro e pediu que as vendas fossem canceladas.
Em resposta às críticas, Kitakawa afirmou que gostaria que o público visse o livro antes de julgar, já que as posições contrárias até agora só vieram de pessoas que ainda não leram a obra.
Com relação à publicação do livro, autoridades da polícia se mostraram preocupadas com a possibilidade do Japão ser visto como um inimigo por grupos religiosos dentro e fora do país.
Por segurança e receio ao ataque ocorrido na França, o Departamento de Polícia Metropolitana de Tóquio disponibilizou um carro de vigilância em frente ao prédio em que a editora está instalada.
As autoridades acreditam também na possibilidade de haver algum manifesto de grupos terroristas, como o Estado Islâmico e a Al-Qaeda, com relação a distribuição das charges no Japão.
A revista francesa Charlie Hebdo publicou uma imagem do profeta Maomé chorando na capa, depois que dois homens armados invadiram o escritório da publicação e mataram 12 pessoas.
Os atiradores disseram que o ataque era uma vingança por charges anteriores tirando sarro do Islã.
Foto: Reuters
Pessoas fazem fila em banca de jornal de Nice, na França, para comprar nova edição do jornal Charlie Hebdo




