Fukushima – O número de trabalhadores com contratos falsos na usina nuclear de Fukushima aumentou neste ano, disse a operadora Tokyo Electric Power (Tepco), destacando as condições turvas no local, apesar de uma promessa de melhorar o ambiente de trabalho.
Os resultados de uma pesquisa divulgados pela Tepco na última quinta-feira mostraram que cerca de 30 por cento dos 6 mil trabalhadores entrevistados disseram que foram contratados por uma empresa mas recebem salários de outra diferente, o que é ilegal, segundo as leis trabalhistas do Japão.
Muitos operários questionaram a Tepco sobre o pagamento de um adicional de insalubridade de aproximadamente ¥18 mil por dia que foi prometido, mas não entrou no salário. A operadora disse que iria dobrar a verba destinada à periculosidade dos trabalhadores em Fukushima.
O governo japonês e a Tepco prometeram no ano passado melhorar as condições de trabalho na usina, onde empreiteiras fornecem a maior parte dos trabalhadores que conduzem uma limpeza após o pior desastre nuclear desde Chernobyl, em 1986.
Em setembro, quatro trabalhadores da usina processaram a Tepco e outras empresas subcontratadas por considerar que estão sendo pagos insuficientemente para os riscos que correm.
Com idade entre 30 e 60 anos, os operários continuam a atuar na central, danificada pelo terremoto, seguido de tsunami, em março de 2011. Eles exigem da Tepco e das companhias subcontratadas ¥90 milhões por adicional de insalubridade.
“Acredito que algum dia a minha saúde será prejudicada”, disse um dos trabalhadores à NHK, acrescentando que “nem todos podem falar do problema”, e que o importante é que alguém diga alguma coisa.
Cerca de 6 mil pessoas trabalham atualmente na usina, mas apenas uma pequena parte é contratada diretamente pela Tepco.
Foto: Reuters
Operários trabalham na usina nuclear de Fukushima




