Tóquio, Japão – Uma pesquisa sobre uso de cocaína no Japão divulgada pelo governo japonês aponta que cerca de 350 mil pessoas no país já fizeram uso da droga ao menos uma vez. Os dados, divulgados nesta quinta-feira (2), mostram um cenário de aumento das ações policiais relacionadas à cocaína, que atingiram um recorde em 2025.
De acordo com informações do Kyodo News, o Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar realizou o levantamento. O dado representa a maior estimativa registrada desde a adoção da metodologia atual, em 2007.
Dados da pesquisa apontam crescimento do uso da droga
Segundo o levantamento, 0,4% dos entrevistados afirmaram já ter usado cocaína. O Japão realiza pesquisas sobre abuso de drogas a cada dois anos desde 1995 e passou a utilizar a metodologia atual de análise em 2007.
A pesquisa teve abrangência nacional. Entre outubro e dezembro de 2025, o ministério enviou questionários a 5 mil pessoas selecionadas a partir do registro básico de residentes e recebeu 3.156 respostas válidas. Os participantes tinham entre 15 e 64 anos.
Os resultados mostraram que 0,5% dos homens declararam já ter usado cocaína pelo menos uma vez na vida, percentual equivalente a cerca de 210 mil pessoas. Entre as mulheres, o índice foi de 0,3%, o que representa aproximadamente 140 mil pessoas.
Na divisão por faixa etária, pessoas na casa dos 40 anos apresentaram a maior prevalência de uso anterior da droga, com 0,7%, correspondente a cerca de 130 mil indivíduos.
O estudo também indicou que a maconha continua sendo a droga ilícita mais utilizada no país. Por isso, o percentual chegou a 1,6% dos entrevistados, o equivalente a uma estimativa de 1,41 milhão de pessoas com base na população total.
Apesar dos resultados, especialistas avaliam que o consumo real de drogas pode ser superior ao registrado pela pesquisa, já que o histórico de uso depende das informações fornecidas pelos próprios entrevistados.
Ofertas de drogas variam conforme idade e gênero
Os entrevistados na faixa dos 20 anos formaram o grupo que mais relatou ter recebido ofertas para consumir drogas. O percentual foi de 1,2%, o que corresponde a aproximadamente 140 mil pessoas.
A pesquisa também apontou diferenças conforme o gênero. Homens eram mais propensos a receber ofertas de maconha e estimulantes, enquanto mulheres relataram maior frequência de abordagem para o consumo de cocaína.
Em relação ao fentanil, apenas dois entrevistados afirmaram ter feito o uso indevido do medicamento que lhes havia sido prescrito. No Japão, o opioide tem uso ocasionalmente em tratamentos médicos e possui distribuição controlada.
O pesquisador-chefe do Centro Nacional de Neurologia e Psiquiatria, Takuya Shimane, destacou a necessidade de medidas para prevenir recaídas. “Os estimulantes costumavam ser predominantes, mas a tendência está mudando para a maconha e a cocaína, assim como ocorre na Europa e nos Estados Unidos”, afirmou.
Recorde de ações policiais reforça cenário
Os resultados do levantamento foram divulgados em um momento em que as ações policiais relacionadas à cocaína alcançaram o maior número já registrado em 2025.
Segundo a Agência Nacional de Polícia, as autoridades adotaram medidas contra 804 pessoas envolvidas em casos relacionados ao uso de cocaína durante o ano, um aumento de 218 casos em comparação com o período anterior.
A polícia acredita que muitas dessas pessoas obtiveram a droga por meio de redes sociais.




