Tóquio, Japão – O governo japonês afirmou nesta segunda-feira (11) que o hantavírus não representa, neste momento, uma ameaça imediata ao país, mesmo após a confirmação de infecções e mortes relacionadas a um cruzeiro que saiu da Argentina, informou o jornal Sankei.
Durante entrevista coletiva, o secretário-chefe do gabinete, Minoru Kihara, declarou que “não há uma situação em que o Japão esteja sofrendo um grande impacto imediato”. Segundo ele, até agora não foram confirmados no país casos do chamado “tipo Andes”, variante rara do hantavírus associada à transmissão entre humanos.
O governo também pediu que viajantes evitem contato desnecessário com animais durante viagens ao exterior, especialmente roedores, conhecidos por transmitir o vírus.
De acordo com Kihara, autoridades de quarentena receberam orientação para verificar se passageiros vindos da América do Sul que apresentem problemas de saúde tiveram contato com roedores. Dependendo da situação, essas pessoas poderão ser encaminhadas para avaliação médica.
O governo ressaltou ainda que os roedores capazes de transmitir o hantavírus do tipo Andes não vivem no Japão.
Ministério da Saúde vê baixo risco de disseminação
O Ministério da Saúde do Japão já havia divulgado no último dia 6 a avaliação de um órgão especializado indicando que a possibilidade de disseminação do hantavírus no país é baixa.
Segundo o Instituto Nacional de Pesquisa para Gestão de Crises de Saúde, ligado ao governo japonês, a transmissão do vírus ocorre principalmente pelo contato com fezes e urina de roedores infectados. O órgão destacou que os tipos de roedores portadores do vírus não habitam o território japonês.
O instituto explicou que cada variante do hantavírus possui um hospedeiro natural específico. Na América do Norte, por exemplo, o vírus costuma estar associado ao rato-cervo, enquanto na América do Sul há registros envolvendo espécies como o “pygmy rice rat”. Nenhum desses animais vive no Japão.
Por isso, mesmo que o vírus entre no país, o ciclo natural de transmissão não conseguiria se estabelecer, segundo a análise das autoridades japonesas.
O relatório também afirma que, com exceção do vírus Andes, não há registros relevantes de transmissão entre pessoas. Mesmo nos casos anteriores envolvendo essa variante, medidas adequadas ajudaram a impedir novos contágios.
Mortes e casos suspeitos em cruzeiro
O navio de cruzeiro associado ao surto chegou no domingo (10) à ilha de Tenerife, nas Ilhas Canárias, território espanhol. Passageiros e tripulantes, incluindo um japonês, começaram a desembarcar após avaliação médica e seguem retornando aos seus países de avião.
Segundo a empresa responsável pela embarcação, havia cerca de 150 pessoas a bordo, de 24 nacionalidades diferentes.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) informou que, até sexta-feira, dia 8, seis pessoas haviam sido diagnosticadas com hantavírus no navio, enquanto outras duas eram consideradas casos suspeitos. Entre os oito casos, três pessoas morreram.
A OMS informou ainda que, até sábado, dia 9, não havia passageiros apresentando sintomas dentro da embarcação. A entidade avaliou que o risco para a população em geral e para os moradores das Ilhas Canárias permanece baixo.




