Oizumi, Japão – A província de Gunma tornou-se o cenário de uma transformação social profunda. Ali, gestores locais enxergam na imigração uma saída contra o esvaziamento populacional. Por isso, em cidades como Oizumi e Nanmoku, o movimento de abertura para estrangeiros deixou de ser uma opção para se tornar uma estratégia de sobrevivência.
Em Oizumi, cerca de 20% da população — aproximadamente 9 mil pessoas — possui nacionalidade estrangeira. A cidade impulsiona o setor industrial e automobilístico e recebe imigrantes brasileiros e peruanos desde a década de 1990. Recentemente, o fluxo cresceu com a chegada de estagiários técnicos do Sudeste Asiático.
“Somos uma família”: a integração em Oizumi
Toshiaki Murayama, de 63 anos, assumiu a prefeitura em 2013 e defende que os estrangeiros sustentam a cidade. Além de implementar leis contra a discriminação, o prefeito mantém uma rotina de proximidade com as comunidades.
De acordo com uma reportagem do jornal Asahi publicada em 26 de março, ele costuma visitar diversos restaurantes estrangeiros para conversar diretamente com os moradores.
“Vocês têm enfrentado alguma dificuldade?”, pergunta Murayama durante essas visitas. O prefeito acredita que, ao ouvir essas vozes e refletir as demandas em suas políticas, ele constrói uma relação de confiança. Com isso, ele espera que os imigrantes participem ativamente das atividades municipais. Em cada estabelecimento, ele reforça a mesma mensagem: “Nós somos a família Oizumi”.
Contratação de funcionários públicos
Recentemente, Murayama eliminou a exigência de nacionalidade japonesa para a contratação de funcionários públicos. De acordo com o jornal Asahi, a medida gerou forte reação, com quase 200 reclamações enviadas à prefeitura. Muitas pessoas acusaram o governo de colocar a segurança do país em risco.
No entanto, o prefeito mantém sua posição com firmeza. Ele destaca que 80% dos protestos vêm de pessoas que sequer moram na cidade. “Não vou recuar. Se houver qualquer problema de segurança por causa disso, apresento minha renúncia imediatamente”, afirma.
Atualmente, uma em cada quatro crianças nascidas em Oizumi tem origem estrangeira, o que mantém a vitalidade do comércio e das fábricas locais.
Solução amazônica para o vilarejo de Nanmoku
Enquanto Oizumi foca na indústria, o vilarejo de Nanmoku enfrenta um envelhecimento extremo. Cerca de 68% da população possui mais de 65 anos.
Por isso, o prefeito Saijo Hasegawa buscou uma solução inédita na Amazônia peruana. No ano passado, ele assinou um acordo de irmandade com o vilarejo de Belén para atrair novos moradores.
O objetivo principal dessa parceria é suprir a carência de profissionais no setor de cuidados. Sendo assim, Nanmoku prevê um déficit grave de cuidadores de idosos nos próximos cinco anos. “Se não agirmos, o bem-estar social dos nossos idosos entrará em colapso”, alerta Hasegawa. Além disso, o prefeito espera que os imigrantes peruanos se estabeleçam permanentemente, encontrando no vilarejo um novo lar definitivo.
Número de estrangeiros em Oizumi por país de origem – 31 de janeiro de 2026
- Brasil: 4.695
- Peru: 1.071
- Nepal: 629
- Indonésia: 609
- Vietnã: 515
- Filipinas: 364
- Bolívia: 191
- China: 168
- Camboja: 87
- Mianmar: 75
- Outros: 585
- Total: 8,989
Perguntas frequentes
- Como o prefeito de Oizumi interage com a comunidade estrangeira?
De acordo com o jornal Asahi, Toshiaki Murayama visita pessoalmente restaurantes de diferentes nacionalidades para ouvir os problemas dos moradores. Ele busca transformar essas demandas em políticas públicas para fortalecer a confiança mútua. - Qual é o conceito de “Família Oizumi”?
É a visão do prefeito de que todos os moradores, independentemente da nacionalidade, formam uma única unidade familiar que sustenta a economia e o futuro da cidade. - Por que Nanmoku fez um acordo com um vilarejo no Peru?
A cidade precisa urgentemente de cuidadores de idosos. Por isso, o acordo facilita a vinda de trabalhadores peruanos que desejam imigrar e viver de forma permanente no Japão.





Moro no Japão a 30 anos e , desses 30, 20 em Ota e Oizumi, me sinto muito bem nesta região e, me sinto acolhido
Uma família uma ova !!! Umã nescidade para a cidade!!! Se todos saírem da cidade!!! A cidade é as empresas nelas … ficaram sem mão 🤚 de obra 🚧
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Se muitos estrangeiros,retornarem para seus países de origens,a economia japonesa: vai afundar de vez,com o fechamento de muitos comércios locais,que dependem de estrangeiros para se manterem de pé(os que consomem mais!).
No apartamento aonde eu moro por exemplo,só tem uns 2 vizinhos japoneses,o resto são brasileiros e vietnamitas!
Isso é só um exemplo!
De hora,a economia pode não sentir muita coisa,mas nos anos seguinte,a economia irá se encolher e muitas empresas,vão falir!