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Japão

Primeiro carregamento de petróleo russo chega ao Japão após bloqueio no Estreito de Ormuz

Navio proveniente do projeto Sakhalin 2 atracou em Ehime em meio à crise no Oriente Médio e à busca por fontes alternativas de energia

Por Redação
5 de maio de 2026
em Japão
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Navio com petróleo russo. Foto: Reprodução/FNN
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Atualizado em: 05/05/2026 17:06

Tóquio, Japão – Pela primeira vez desde o bloqueio do Estreito de Ormuz, petróleo russo chegou ao Japão, marcando um novo movimento na estratégia do país para garantir o abastecimento de energia em meio à crise no Oriente Médio.

O carregamento, proveniente do projeto de petróleo e gás “Sakhalin 2”, no extremo leste da Rússia, desembarcou na cidade de Imabari, província de Ehime. Segundo relatos da mídia japonesa com base em fontes da Taiyo Oil, o navio-tanque “Voyager”, de bandeira de Omã, atracou por volta do meio-dia desta terça-feira (5) no terminal da unidade de Shikoku da empresa.

A chegada ocorre em um momento delicado. O Japão depende de cerca de 95% das importações de petróleo do Oriente Médio, e o conflito iniciado no fim de fevereiro, após ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, levou ao fechamento do Estreito de Ormuz — rota vital para o transporte global de petróleo.

Fontes alternativas de energia

Diante desse cenário, o governo japonês tem buscado diversificar suas fontes de energia. O petróleo de Sakhalin 2, apesar de ser de origem russa, não está sujeito às sanções impostas por Estados Unidos e União Europeia após a invasão da Ucrânia.

Um representante do Ministério da Economia, Comércio e Indústria afirmou que houve coordenação com autoridades americanas para confirmar a ausência de riscos de sanção.

A Taiyo Oil, de acordo com as reportagens, recebeu um pedido do governo para aceitar o carregamento. Após o desembarque, o petróleo será refinado em produtos como gasolina e querosene, que serão distribuídos gradualmente no mercado.

O projeto Sakhalin 2 é um dos maiores empreendimentos energéticos da Rússia e iniciou suas operações em 2008. Ele é controlado majoritariamente pela estatal Gazprom, com participação das japonesas Mitsui & Co. e Mitsubishi Corporation. Cerca de 9% do gás natural liquefeito (LNG) importado pelo Japão vem desse projeto, abastecendo empresas como JERA e Tokyo Gas.

Vantagens logísticas e incertezas

Com o bloqueio do Estreito de Ormuz, a dependência japonesa dessa rota se tornou um risco concreto. Nesse contexto, Sakhalin surge como uma alternativa estratégica por sua proximidade geográfica, permitindo transporte em poucos dias.

Por outro lado, permanecem dúvidas sobre a estabilidade desse arranjo. As exceções às sanções contra a Rússia não são permanentes, e há receio de que os Estados Unidos ampliem restrições no futuro.

Mesmo assim, as autoridades consideraram que o transporte relacionado ao Sakhalin 2 poderia continuar sem risco imediato. Dados do Centro de Pesquisa em Energia e Ar Limpo (CREA), da Finlândia, indicam que a receita russa com exportações marítimas de petróleo aumentou 115% em março de 2026 em relação ao mês anterior, sendo quase metade do volume transportado por navios sob sanções.

Pressão por diversificação

A utilização de petróleo russo pode funcionar como alternativa emergencial em momentos de crise, mas carrega incertezas no longo prazo. A combinação entre dependência externa e riscos geopolíticos mantém o Japão sob pressão para ampliar e diversificar suas fontes de energia.

Desde 1º de maio, o governo iniciou uma nova liberação de estoques estratégicos, afirmando que há perspectiva de estabilidade no fornecimento até o início do próximo ano. Ainda assim, a necessidade de reduzir a dependência do Oriente Médio segue no centro das preocupações energéticas do país.

Tags: geraljapao

Redação

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