Tóquio, Japão – Um militar das Forças de Autodefesa do Japão foi preso na terça-feira (24) após invadir o terreno da Embaixada da China, em Tóquio. O incidente ocorreu por volta das 9h, quando o homem saltou o muro da representação diplomática, informou o jornal Asahi.
Kodai Murata, de 23 anos, trabalha na guarnição de Ebino, na província de Miyazaki, e estava armado com uma faca de 18 centímetros.
Funcionários da embaixada contiveram o invasor logo após a entrada ilegal na propriedade. No entanto, a polícia de Azabu recebeu o comunicado oficial apenas no início da tarde. Após assumir a custódia, as autoridades confirmaram a prisão por invasão por volta das 21h. Ninguém ficou ferido durante a ação do militar.
Militar japonês tinha plano de protesto
Durante o interrogatório, Murata admitiu o crime e explicou suas intenções aos investigadores. O oficial afirmou que comprou a faca antecipadamente e viajou de Miyazaki para a capital com o objetivo de confrontar o embaixador.
“Eu queria que a China interrompesse suas declarações agressivas”, declarou o detido à Unidade de Segurança Pública.
Além disso, o militar revelou um plano drástico caso suas exigências fossem ignoradas. Ele pretendia tirar a própria vida diante das autoridades chinesas para gerar impacto e surpresa. Por isso, a polícia acredita que ele agiu de forma isolada, sem o apoio de organizações externas.
Um representante das Forças de Autodefesa informou que o militar abandonou o posto de trabalho sem autorização um dia antes do crime.
Pequim apresenta protesto formal
O governo chinês reagiu duramente ao episódio através de seus canais oficiais. Um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China afirmou que o invasor ameaçou matar diplomatas, embora a polícia japonesa ainda não tenha confirmado essa acusação específica.
Nesse sentido, Pequim apresentou um protesto formal e criticou o que chamou de “ascensão do novo militarismo” no Japão.
Por outro lado, o governo japonês lamentou profundamente o ocorrido através do Secretário-Chefe do Gabinete, Seiji Kihara. Em entrevista coletiva na manhã desta quarta-feira (25), Kihara classificou como “extremamente lamentável” que um oficial tenha cometido tal infração.
Ao mesmo tempo, a Polícia Metropolitana de Tóquio anunciou o reforço imediato do policiamento no entorno de todas as missões diplomáticas chinesas no país.
Tensão diplomática entre os dois países
As relações diplomáticas entre a China e o Japão já enfrentavam um cenário de forte tensão antes mesmo deste incidente. Esse desgaste se intensificou após declarações recentes da primeira-ministra Sanae Takaichi sobre Taiwan, que geraram forte descontentamento em Pequim.
O governo chinês interpreta qualquer apoio oficial à ilha como uma interferência em seus assuntos internos, o que coloca as declarações da política japonesa como um ponto central de atrito entre as duas potências asiáticas.
Perguntas frequentes
- Quem é o responsável pela invasão à embaixada?
O autor da invasão é Kodai Murata, um oficial de 23 anos pertencente às Forças de Autodefesa do Japão, lotado em Miyazaki. - Quais eram as intenções do militar japonês?
Murata afirmou que queria entregar opiniões ao embaixador contra a postura diplomática da China. Ele portava uma faca e planejava cometer suicídio no local caso não fosse ouvido. - Como a China reagiu ao incidente em Tóquio?
O governo chinês apresentou um forte protesto diplomático ao Japão, alegando que houve ameaças de morte contra seus funcionários e cobrando medidas de segurança mais rígidas.




