Tóquio, Japão – O gabinete da primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, manifestou “grave preocupação” com o mais recente conflito no Oriente Médio após os ataques realizados pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã, no sábado (28). Em resposta, o governo criou um centro de coordenação de informações para acompanhar os desdobramentos e reforçar as medidas de segurança, informou a agência Reuters.
O Ministério das Relações Exteriores do Japão informou em comunicado divulgado nas redes sociais que a situação pode afetar o Japão também do ponto de vista da segurança energética e afirmou que acompanhará os acontecimentos “com grande interesse e preocupação”.
Takaichi, que estava na província de Ishikawa no momento do anúncio dos ataques, afirmou que vem recebendo relatórios contínuos e emitindo instruções conforme necessário.
O governo japonês já havia emitido anteriormente um alerta recomendando a retirada de cidadãos japoneses de todo o território iraniano. A recomendação foi reforçada após os ataques, com o pedido para que os japoneses que ainda permanecem no país deixem a região o mais rápido possível enquanto houver voos comerciais disponíveis.
As autoridades também alertaram que não é possível descartar a ocorrência de incidentes inesperados não apenas no Oriente Médio, mas também em outras regiões, incluindo os Estados Unidos.
Durante entrevista coletiva, Takaichi afirmou que, após receber as primeiras informações sobre os ataques, ordenou imediatamente aos ministérios envolvidos que intensificassem a coleta de informações e garantissem a segurança dos cidadãos japoneses que permanecem na região.
Segundo a primeira-ministra, além de Irã e Israel, o governo também passou a monitorar a situação de japoneses em países vizinhos como Bahrein, Catar e Emirados Árabes Unidos. Até o momento, não há informações sobre vítimas japonesas.
A premiê também determinou o acompanhamento das condições de transporte marítimo e aéreo, o compartilhamento de informações com empresas relacionadas e a análise dos possíveis impactos econômicos.
O ministro da Defesa, Shinjiro Koizumi, instruiu as Forças de Autodefesa a reforçar a coleta de informações no Oriente Médio, garantir a segurança de cidadãos japoneses e intensificar as atividades de vigilância e monitoramento nas áreas próximas ao Japão.
De acordo com Takaichi, o governo também convocará uma reunião do Conselho de Segurança Nacional para analisar as informações disponíveis e discutir as medidas a serem adotadas diante da evolução da crise.
Possíveis impactos econômicos no Japão e no mundo
O aumento dos preços do petróleo no mercado internacional pode se intensificar diante da crescente tensão no Oriente Médio, o que deve afetar também o Japão, altamente dependente de importações de energia, segundo o jornal Yomiuri.
No mercado futuro de petróleo de Nova York, o preço do barril do tipo WTI (Texas Intermediate), principal referência internacional, subiu cerca de 17% nos dois primeiros meses do ano.
Na sexta-feira (27), antes de ataques militares dos Estados Unidos contra o Irã, o contrato para entrega em abril chegou momentaneamente a 67,83 dólares por barril, o maior nível desde agosto de 2025. Analistas consideram que a pressão de alta pode se intensificar caso o fornecimento da região do Golfo Pérsico seja afetado.

Um dos principais riscos é a instabilidade no transporte marítimo através do Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa grande parte do petróleo exportado pelos países produtores do Golfo. Caso a passagem deixe de ser segura, o abastecimento mundial pode sofrer grandes perturbações. Em junho de 2025, após ataques militares americanos a instalações nucleares iranianas, o preço do petróleo chegou à faixa dos 78 dólares por barril.
O impacto tende a ser significativo para o Japão, que depende fortemente do Oriente Médio. Cerca de 90% do petróleo importado pelo país vem de produtores como a Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos e o Kuwait. A alta do petróleo pode provocar aumento nos preços de combustíveis como a gasolina e o diesel.
Apesar disso, especialistas avaliam que um impacto imediato severo é improvável. O governo e empresas privadas mantêm reservas estratégicas de petróleo, e dados do Ministério da Economia, Comércio e Indústria do Japão indicam que o país possuía, no fim de dezembro de 2025, estoques equivalentes a cerca de 254 dias de consumo — aproximadamente oito meses.
O economista Takashi Kadokura afirma que o cenário mais grave seria o bloqueio do Estreito de Ormuz pelo Irã em resposta a ataques conjuntos dos Estados Unidos e de Israel. Nesse caso, o transporte marítimo de petróleo e gás natural liquefeito (GNL) provenientes de países como Iraque, Kuwait, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos ficaria comprometido.
Segundo ele, cerca de três quartos do petróleo que o Japão importa do Oriente Médio passam pelo estreito, o que poderia causar forte impacto na economia japonesa. O transporte pela rota é especialmente importante para países asiáticos, como China e Índia, além do Japão.
Já o economista Tomohisa Ishikawa observa que a alta do petróleo do Oriente Médio tende a elevar também os preços produzidos em outras regiões, como o Mar do Norte e o Texas. Isso aumenta o risco de um choque global do petróleo.




